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    DIAS DE NIETZSCHE EM TURIM

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Não adianta discutir. Os filmes de Júlio Bressane, assim como os de Godard, fazem o estilo “ame-o ou deixe-o”. Herméticos, cifrados, extremamente lentos, com altas intenções intelectuais, endeusados pelos críticos mais tradicionais e rejeitados pelo grande público. Dias de Nietzsche em Turim não seria diferente. Melhor Roteiro no Festival de Brasília, o filme é uma romantização de como poderiam ter sido os meses vividos pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) na cidade italiana de Turim. Entre abril de 1888 e janeiro de 1889, Nietzsche viveu naquela cidade uma fase de auto-recolhimento e meditação, onde escreveu vários de seus textos, entre eles Ecce Homo, Crepúsculo dos Ídolos e Os Ditirambos, entre outros.

    O filme, porém, não tem nenhuma intenção didática, muito menos documental: ele foi feito para iniciados. Ou seja, é preciso um certo conhecimento prévio sobre a vida do filósofo para poder apreciar a obra de Bressane em todo o seu conteúdo. E talvez este seja um dos principais problemas de seus filmes: eles são feitos para poucos, muito poucos. Em outras palavras, quem curte Nietzsche vai curtir o filme com mais intensidade. Quem não o conhece, tampouco vai ficar conhecendo por meio do filme.

    Em suma, os fãs de Bressane e de Nietzsche vão adorar Dias de Nietzsche em Turim. Mas só eles.

    11 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br