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    DIAS SELVAGENS

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Uma das principais características dos filmes dirigidos pelo cineasta nativo de Hong Kong Wong Kar Wai (2046 - Os Segredos do Amor) está ligada à forma como ele retrata as relações humanas. Seus personagens sempre se encontram em histórias de amor doloridas e mal resolvidas. E, mais do que trágicas, são belas de se observar da cômoda posição de espectador por conta da digna e criativa condução do diretor.

    Em Dias Selvagens, Maggie Cheung, a maior musa do cineasta, interpreta Su Lizhen, uma jovem aparentemente tímida que acaba "abrindo aguarda" para o mulherengo Yuddy (Leslie Cheung, que também trabalhou com o diretor em Felizes Juntos e cometeu suicídio em 2003), mas não tem muito sucesso. Logo ela é abandonada. A partir daí, a produção acompanha os rumos percorridos por ambos os personagens. Ela, que se arrepende do envolvimento e tenta superar a decepção, e ele, que sai numa viagem a Cingapura atrás de sua mãe verdadeira, sem deixar de arrumar algumas amantes no caminho. Na verdade, Dias Selvagens joga mais luzes sobre sua relação problemática com as mulheres em sua vida, especialmente a mãe adotiva, mas nunca deixa de retratar relações problemáticas, já mostrando essa tendência de Wong Kar Wai ao traduzir tão bem a complexidade dos relacionamentos, independente de sua natureza.

    Dias Selvagens é o segundo filme dirigido por Wong Kar Wai, em 1991, mas permanecia inédito no circuito comercial brasileiro. A fama que o cineasta adquiriu por aqui nos últimos anos, especialmente depois de filmes como Amores Expressos (1995) e Amor à Flor da Pele. E não somente no Brasil, obviamente, mas também em Hollywood: seu próximo filme, My Blueberry Nights, conta com atores do calibre de Jude Law, Rachel Weisz e Natalie Portman. Por isso, a importância de ser lançado comercialmente um filme como Dias Selvagens: numa forma de reparar esse atraso, é dada ao espectador a oportunidade de observar aqui o desenvolvimento dos movimentos de câmera e o tipo de relação afetiva tipicamente explorada por Kar Wai em seus filmes. Apesar de não ser sua estréia na direção de um longa, é a primeira vez que o diretor chinês apresenta uma trama e estética que ele desenvolve até hoje, influenciando a produção cinematográfica atual não somente oriental, mas mundial.