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    DIREITO DE AMAR

    Colin Firth é destaque em adaptação do livro de Christopher Isherwood<br />
    Por Heitor Augusto
    24/02/2010

    Que missão o estilista Tom Ford tinha em mãos! Desvencilhar-se da paixão por A Single Man, adaptar com sobriedade para o cinema o melhor livro de Christopher Isherwood e fazer um filme sobre uma história que se passa quase integralmente ou na cabeça do personagem principal ou em suas observações do que ocorre ao redor.

    Direito de Amar (que título infeliz!) é um projeto ousado que algumas vezes alcança beleza e transmite o clima psicológico do protagonista. Em outros, é preciosista, truncado e cheio de cacoetes narrativos.

    Estamos em 1962. George (Colin Firth) é um londrino cinquentão que dá aulas de literatura em uma universidade de Los Angeles. Desde a morte acidental do namorado Jim (Matthew Goode), há oito meses, vive em completa solidão (daí um dos significados do título original). Acompanhamos um dia de sua jornada, talvez o último, pois ele decidiu se suicidar.

    O que mais deu certo em Direito de Amar decorre de uma opção da direção do estreante Tom Ford em parceria com o diretor de fotografia Eduard Grau. Como colocar na tela, sem cair na doentia e viciante verborragia cinematográfica, a falta de sentido da vida de George? Como exprimir que um dia é como o outro, e o próximo, e mais um, todos iguais? Como não abusar da narração em off?

    Grau transporta essas nuances para as intensidades das cores, do filtro cinza à película que absorve todo o calor de Los Angeles e o reflete na pele dos atores. Não é apenas firula visual, mas uma escolha estética que ajuda a compor o nosso olhar do filme e entender como George sente quem está próximo de si.

    A interpretação de Colin Firth, tão fiel à ironia e ao cinismo do personagem criado por Isherwood, é outro ponto alto de Direito de Amar. Aliás, a presença em cena de Firth ao lado de Julianne Moore, que interpreta sua amiga Charley, enche de humanidade um filme que fala de perda.

    Mas, nem tudo que Ford tentou funcionou. Ele conduz o filme com movimentos e enquadramentos clássicos, além de ter tirado o foco de narração psicológica do livro para concentrar a adaptação no sentimento de perda de George e Jim, juntos há 16 anos.

    Nenhum problema em mudar o centro das atenções, mas, para tal, a direção abusa de flashbacks para construir a narrativa. As digressões não são orgânicas no filme e os ganchos utilizados para explicar o passado são, digamos, toscos.

    Outro recurso exagerado é a trilha sonora. Claro, a música de Abel Korzeniowski é interessante, mas o uso excessivo parece uma necessidade de Ford em realçar sentimentalismo. Puro cacoete.

    À parte do título injustamente adaptado (custava estampar Um Homem Só?), Direito de Amar capta alguns bons aspectos do livro que o inspirou, mas, como filme, às vezes escorrega no desenrolar da história, especialmente no início e nos momentos mais dramáticos.