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    DIRIGINDO NO ESCURO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Woody Allen ataca novamente. E desta vez ele atira sua metralhadora giratória contra a própria indústria cinematográfica na comédia Dirigindo no Escuro. A história é simples, direta e divertida: Allen interpreta Val Waxman, um cineasta decadente que graças à influência de sua ex-mulher consegue ser contratado para dirigir um filme importante. O problema é que exatamente na véspera de iniciar seu novo trabalho, Waxman fica repentinamente cego. A princípio o fato poderia significar o fim da carreira do já combalido cineasta, mas seu agente o convence a dirigir assim mesmo, sem enxergar nada. "Afinal, você já viu os filmes que estão fazendo hoje em dia?", pergunta.

    É a partir desta cômica e surrealista situação que Allen monta o seu painel sarcástico contra a Hollywood de hoje. As referências se sucedem. Seu personagem propõe fazer um filme em preto e branco, mas a idéia é instantaneamente rejeitada pelos produtores, numa clara brincadeira ao hoje clássico Manhattan, do próprio Allen. Entre seus diálogos ágeis e ferinos, ele pergunta: "Por que o país ficou repentinamente estúpido? Minha teoria é: fast food". E por aí vai.

    Dirigindo no Escuro é um típico Woody Allen, com seus diálogos supersônicos e muito jazz na trilha sonora. Difere, porém, a fotografia, que desta vez explora uma forte luz estourada em tons alaranjados. Seria uma referência à eternamente ensolarada Califórnia? Como quase sempre acontece nos filmes de Allen, Dirigindo no Escuro também foi um fracasso nos EUA, onde faturou pouco mais de 1/4 de seu custo de US$ 16 milhões. Por quê? Por causa do fast food, talvez.