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    DISPAROS

    Complexo e tenso, filme é eficaz tanto em arrancar risadas quanto causar mal-estar ao público<br />
    Por Daniel Reininger
    21/11/2012

    Poucos filmes brasileiros procuram alcançar meio termo entre a produção para o grande público e aquela voltada para festivais. Esse era exatamente o plano da diretora estreante Juliana Reis quando concebeu Disparos. O seu thriller policial é diferente do esperado, não tem um tiro sequer e funciona como um mosaico de casos comuns voltado para o lado psicológico e as relações entre os personagens diante do caos urbano.

    Baseado em uma história real, vivida por um amigo da diretora, a trama mostra uma tentativa de assalto a Henrique, renomado (ao menos ele se considera assim) e arrogante fotógrafo carioca. Dois motoqueiros o abordam enquanto sai de uma sessão de fotos em uma boate gay na Lapa e, mesmo sob a mira de uma arma, ele reluta a entregar o cartão de memória com seu trabalho. Nesse momento, um carro atropela os motociclistas e foge da cena do crime. Atônito, o personagem de Gustavo Machado só quer se livrar de toda aquela confusão e ir embora para casa, mas sua atitute insolente e desdenhosa com as autoridades o coloca em rota de colisão com o inspetor Freire, interpretado por Caco Ciocler.

    A força da trama vem exatamente da relação conturbada entre Henrique e Freire, que resolve infernizar a vida do fotógrafo mal educado e dar-lhe uma lição. Começa então uma verdadeira perseguição psicológica, que ganha força na atuação genial da dupla de protagonistas. Não à toa, Ciocler ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio.

    O trabalho impecável aparece também na montagem. Não linear, é capaz de deixar o espectador tenso e interessado ao longo de todo o filme, mesmo quando algumas cenas deixam a desejar. Cada detalhe é apresentado conforme se torna importante para a história. A bela, desfocada e escura fotografia é de extrema importância para o clima de decadência e impotência, elementos chaves de Disparos.

    O longa se perde quando mostra histórias paralelas, como a de um homossexual vítima de "boa noite, Cinderela",da mulher de Henrique em meio a uma crise nervosa ou do assaltante que sobreviveu ao incidente. Essas tramas não colaboram com a obra e, embora também tratem de diversos tipos de violência, carecem de profundidade e criatividade para se mostrarem relevantes. Alguns momentos desnecessários só servem para tirar de vez o espectador do clima do longa.

    Disparos é um filme complexo, capaz de transitar entre o mal-estar e as risadas dos espectadores, de forma natural, com algumas tiradas inteligentes e frases de efeito. A estreia de Juliana Reis mostra o potencial da diretora, mas é de se pensar como essa obra seria se cada uma das histórias paralelas recebesse o mesmo cuidado da trama principal.