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    DIVERGENTE

    Apatia permeia todos os aspectos da adaptação
    Por Daniel Reininger
    14/04/2014

    Divergente parecia capaz de desafiar Jogos Vorazes como bom filme juvenil de tom político, mas era só impressão. O longa baseado no livro de Veronica Roth, por sua vez inspirado em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, prometia mostrar os perigos da engenharia social e do condicionamento psicológico da sociedade, mas na verdade se resume a uma história piegas entre facções rivais e romances proibidos.

    A simpática atriz Shailene Woodley é Beatrice "Tris" Prior, garota nascida na casta Abnegação, cuja função é governar e ajudar aos necessitados - vocação não compartilhada pela garota. Ela sonha em fazer parte da Audácia, espécie de polícia local e cujos membros aparentam ter maior liberdade. Quando chega a hora de decidir sob qual facção viverá o resto da vida, seu resultado a aponta como uma Divergente, pessoas que não pensam como o resto da sociedade e, por isso, ameaçam o sistema. Enquanto luta para esconder sua condição, ela muda de grupo e acaba envolvida romanticamente com Quatro, um dos treinadores do novo clã.

    No primeiro momento, Divergente parece mais sombrio até do que Jogos Vorazes, graças à sociedade reduzida a indivíduos com apenas um traço de personalidade. Entretanto, a semelhança com Harry Potter e Percy Jackson é mais forte, afinal a narrativa se concentra demais no treinamento de Tris e não nas questões políticas. A garota passa por provas, enfrenta desafios e tenta conseguir notas para seguir adiante. Por acaso, ela descobre praticamente sozinha uma terrível conspiração e precisa agir.

    Quando as coisas esquentam, já é tarde. O diretor passa tempo demais tentando explicar o mundo e esquece de criar algo interessante por si só. Como consequência, o filme não possui uma história coesa e a narrativa não funciona. Mesmo após a (monótona) batalha final, parece que estamos acompanhando um prólogo estendido e incapaz de divertir.

    Além disso, os personagens nunca estão em perigo real. A sociedade é pacífica e não parece à beira da guerra civil. Ameaças externas preocupam, porém nunca fica claro porque se deve temer o mundo exterior. Mesmo durante o treinamento, no qual os cadetes com pontuação baixa serão banidos, tudo parece amigável e relativamente tranquilo. Os roteiristas até tentam criar sequências interessantes, mas o diretor evita pesar a mão e deixa tudo sem graça.

    O visual também atrapalha. Diferente de Hogwarts ou dos distritos de PanemChicago de Divergente não possui características capazes de distingui-la de outros cenários pós-apocalípticos. Problema sério, afinal franquias adolescentes precisam criar identidade própria para cativar o público. O longa raramente tem cenas externas, e quando tem, a metrópole parece quase a mesma de hoje. Além disso, os ambientes internos não são criativos e parecem saídos de filmes de baixo orçamento. O mesmo vale para o figurino.

    Woodley segura bem a onda como protagonista e é capaz de realizar as cenas físicas e emocionais com competência. Entretanto, sua personagem é fraca e depende demais de coadjuvantes para seguir adiante, ao contrário de Katniss Everdeen e Harry Potter, os quais sempre estão no comando, mesmo quando ajudados por amigos. Essa apatia permeia todos os aspectos de Divergente e deveria incomodar até mesmo os fãs do livro. Afinal, boas ideias não faltam. Mas todas são mal aproveitadas na telona.