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    DO JEITO QUE ELA É

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Não dá outra: personagem que sofre de câncer quase sempre proporciona ao seu ator ou atriz uma indicação para o Oscar. É o que acontece (novamente) no drama Do Jeito que Ela É, em que Patricia Clarkson (Dogville) faz o papel da mãe de uma família que vai até Nova York visitar a filha rebelde, tentando uma reconciliação no Dia de Ação de Graças. A atuação de Patricia lhe rendeu um indicação ao Oscar de atriz coadjuvante.

    Porém, Do Jeito que Ela É não é aquele filme com sabor e jeitão de Oscar. Pelo contrário. Trata-se de uma produção independente, rodada em vídeo digital, muito mais para Espaço Unibanco que para Cinemark, e extremamente barata: custou apenas 300 mil dólares.

    O filme marca a estréia na direção do ótimo roteirista Peter Hedges, que já havia assinado três roteiros bem interessantes: Um Grande Garoto, Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador e O Mapa do Mundo, este último inédito em cinema no Brasil, saiu por aqui diretamente em vídeo. Com crueldade, dramaticidade e um bem-vindo senso de humor agridoce, Do Jeito que Ela É se desenvolve em três diferentes e concomitantes linhas de narração. Primeira: April (Katie Holmes, de Por um Fio), a "ovelha negra" de três irmãos tipicamente classe média, desdobra-se para preparar a festa de Ação de Graças para sua família. Segunda: a citada família de April sai de algum lugar do interior para encontrar a filha "rebelde" em Nova York, lugar marcado para a festa. Terceira: Bobby (Derek Luke, de Corridas Clandestinas), namorado de April, sai pelas ruas da cidade em busca de algo que o roteiro prefere, pelo menos a princípio, não contar. São três diferentes tipos de viagens e tudo vai acontecer em apenas algumas horas. Aos poucos, o espectador fica sabendo que a relação entre April e sua família é das mais deterioradas possível. A tensão é geral. O desastre deste Dia de Ação de Graças parece iminente. Estas três linhas narrativas convergem para um final inteligente e bem resolvido.

    Quanto à personagem que sofre de câncer, tudo é conduzido com um estranho tipo de dignidade cruel. Nada parecido com aqueles dramalhões chorosos que a Academia venera. Bom para quem gosta de cinema. Ruim para quem gosta de novela venezuelana. O título Do Jeito Que Ela É pode não ser a melhor tradução para o original Pieces of April. Mas qual seria? Abril Despedaçado?