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    DOIS AMIGOS

    Longa retrata triângulo amoroso de forma suave e cômica
    Por Iara Vasconcelos
    03/12/2015

    Triângulos amorosos não são nenhuma novidade nas telonas, mas a premissa manjada não impediu que Louis Garrel – ele mesmo, o Theo de Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci – criasse uma trama cativante tomada pelo amor dramático e pelo humor em Dois Amigos.

    Na trama, o figurante com tendências suicidas Clément (Vincent Macaigne) se apaixona perdidamente por Mona (Golshifteh Farahani), uma presidiária em regime semiaberto que trabalha em um quiosque na estação de trem. A moça recusa as investidas dele, principalmente pela difícil condição em que vive – que por sua vez é desconhecida por quase todos – mas isso não o faz desistir. Ele então recorre à ajuda do amigo Abel (Garrel), que o aconselha a raptar a moça.

    Depois que perde o trem que a levaria de volta à penitenciária, Mona resolve partir com a dupla para Paris e viver ao máximo o momento de liberdade – por mais curto que ele seja. Como esperado, a convivência do trio logo ganha contornos românticos.

    A trama não conta com personagens secundários relevantes e o foco é todo dos protagonistas. Pouco sabemos sobre eles, não há informações sobre o motivo que levou Mona a parar na cadeia, ou sobre como Clément e Abel se conheceram, o que cria um mistério interessante. Diante dos desdobramentos, percebemos que não é apenas Mona que aproveita suas horinhas de liberdade. O anseio por mudanças é expresso também nas atitudes dos outros dois personagens, que querem sair da realidade monótona em que vivem.

    A relação do trio não é captada com tom de luxúria, mas de forma muito suave e inocente. O filme retoma a figura do "último romântico", mas de uma forma cômica, através de Clément. Além disso, existe o Bromance entre os personagens de Macaigne e Garrel, que mesmo diante da cobiça pela mesma mulher, continuam a apoiar um ao outro.
    Dois amigos é um filme simplista, tanto tecnicamente quanto na originalidade de sua trama, que chega a ser previsível por diversas vezes. Mesmo assim, não há como negar que o charmoso cenário de Paris confere ao filme um ar mais "profundo" que não caberia a um filme americano de estrutura semelhante.

    O ponto alto do longa é a atriz iraniana Golshifteh Farahani, ex-namorada de Garrel que foi expulsa de seu país depois de posar nua para uma revista. Farahani é a típica garota da casa ao lado, mas quando solta suas fartas madeixas cacheadas e dança ao som de um indie-eletrônico vemos sua grandeza. Sua presença enche a tela e nos faz até perdoar os deslizes imediatistas e irresponsáveis de Mona – caso semelhante acontece com a personagem Frances Ha.
    Sincero é o adjetivo que cabe muito bem a Dois Amigos. O longa claramente não tem pretensões de ser um clássico cult, nem de emular as comédias românticas americanas, mas sabe bem trabalhar o material que tem. Uma estreia satisfatória para Garrel.