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    DÓLARES DE AREIA

    Olhar de Geraldine Chaplin conduz drama com sensibilidade
    Por Gustavo Assumpção
    25/10/2014

    Filme escolhido para encerrar a 38ª Mostra Internacional de Cinema de Sâo Paulo, Dólares De Areia usa o dinheiro para opor realidade e fantasia, uma metáfora das relações de colonialismo que ainda permiam o cotidiano e o imaginário da América Latina. Sem muito revelar, é preciso se apegar aos olhares e ao subtexto para compreender este drama contido.

    Geraldine Chaplin é Anne, uma europeia que está morando na República Dominicana. As praias ensolaradas do país são o cenário do amor que ela vive com Noeli (Yanet Mojica), uma mulher dominicana bem mais jovem. Há uma conexão inexplicável entre as duas. Por vezes parece um encanto físico, por vezes bem mais profundo.

    Mas Dólares de Areia pouco diz. Conforme conhecemos os contornos desse relacionamento podemos perceber que há muito nas entrelinhas. Noeli vive de pequenos golpes, relações de interesse com turistas que chegam ao país. Anne parece perdida, talvez influenciada por uma difícil relação com o ex-marido que deixou na França.

    Noeli ainda vive um relacionamento escondido com Yeremi (Ricardo Ariel Toribio), com quem passa a criar um plano, mas tudo muda quando os sentimentos que unem e separam esses personagens começam a se confundir. 

    O tom é íntimo. Nada diz tanto quanto os olhos de Geraldine Chaplin, em um dos melhores papéis de sua carreira. Despida de qualquer vaidade, a atriz parece não ter medo de escancarar a fragilidade de sua personagem. Quebrando expectativas e flertando com a linguagem documental em algumas de suas cenas mais ricas - os longos closes no rosto de sua protagonista são reveladores -, o filme abusa de uma sensibilidade cruel.