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    DONKEY XOTE

    Por Celso Sabadin
    03/06/2009

    Depois que a Pixar, Disney e DreamWorks provaram ao planeta que o segmento de longas-metragens em animação pode ser extremamente lucrativo, todo mundo saiu a campo para tentar tirar sua casquinha. É o caso, por exemplo, da produtora italiana Lumiq e das espanholas Bren e Filmax, que uniram suas forças para realizar Donkey Xote, uma sátira ao clássico Don Quixote, de Miguel de Cervantes.

    Aqui, a história é contada sob o ponto de vista de Rucio, o burrico de Sancho Pança. Ele, ao lado do “colega” Rocinante (o cavalo de Don Quixote) e seus respectivos donos, acabam se metendo em novas aventuras, depois que o sempre obsessivo Don Quixote resolve novamente ir à procura de sua misteriosa amada Dulcinéia. A ação se passa num momento em que Quixote já está praticamente aposentado e, por causa de sua fama difundida nos livros de Cervantes, todos os cavaleiros querem ser igual a ele.

    O grande problema – como quase sempre acontece nas novas animações - é o roteiro. Ou a falta dele. Com a crescente queda nos preços de hardwares e softwares, atualmente não é mais nenhum bicho de sete cabeças realizar uma animação de boa qualidade técnica. E, neste aspecto, Donkey Xote é bastante satisfatório, com belos traços, personagens carismáticos e boa movimentação. Há até cenários inspirados no grande pintor espanhol Francisco de Goya. Mas se a técnica anda cada vez mais apurada, não há dinheiro que compre um roteiro genial, coisa que ultimamente parece ser prerrogativa “exclusiva” da Pixar. Sonolenta, a trama de Donkey Xote é confusa, sem emoção e, pior, não faz rir. Nem adultos, nem crianças. Falta a grande idéia, a jogada genial, o inusitado.

    Diante de uma história tão desinteressante, fica até menor o fato do personagem principal ser quase uma cópia deslavada do Burro da DreamWorks, o amigo do Shrek. E de haver um leão que é quase igualzinho a Scar, o tio do Rei Leão, da Disney... Se pelo menos o roteiro de Donkey Xote “imitasse” um pouquinho também as belíssimas tramas da Pixar, tais pecados seriam melhor perdoados.