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    DOUTOR ESTRANHO

    Filme é, ao mesmo tempo, muito similar e algo bastante diferente
    Por Daniel Reininger
    25/10/2016

    O décimo quarto filme da Casa das Ideias poderia ser o mais ousado ao introduzir magia e elementos místicos ao até então mundano universo cinematográfico da Marvel. Entretanto, é curioso ver como Doutor Estranho é, ao mesmo tempo, muito similar a outras obras do gênero e algo bastante diferente.

    Incrível visualmente, o longa tem uma história de origem bem padrão, na qual o personagem é apresentado, problematizado, parte em busca de respostas, adquire poder, se torna um herói e enfrenta o vilão em uma batalha grandiosa. Ou seja, o roteiro é simplório e parecido demais com tantos outros.

    É possível fazer relações com Homem De Ferro, Batman Begins, Capitão América, Thor, O Homem De Aço, X-Men, O Filme, Homem-Aranha e tantos outros que seguem a mesma fórmula. O problema é que as histórias de origem já cansaram.

    Paradoxalmente, o longa apresenta elementos nunca antes visto no gênero, com uma viagem psicodélica por dimensões variadas, poderes além da compreensão, muita magia e criaturas onipotentes de outros planos, tudo isso com imagens simplesmente impressionantes.

    É compreensível que a Marvel tenha decidido seguir com uma história simples e sem reviravoltas para poder viajar em outros aspectos da produção, como manipulação do tempo e espaço, sem o perigo de transformar o longa em algo muito complicado e pouco acessível para o público em geral. É um caminho comercial aceitável, mas capaz de frustrar as expectativas de quem esperava algo totalmente fora da caixa.

    + Conheça melhor o Doutor Estranho

    A trama mostra como Doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um arrogante neurocirurgião de Nova York, gasta todo seu dinheiro em busca de uma cura após um acidente destruir suas mãos. Desesperado, vai atrás de um lugar místico capaz de curar pessoas ou, pelo menos, é o que ele acredita. Em Catmandu, Nepal, encontra finalmente a Anciã (Tilda Swinton) e descobre que existe muito mais no universo do que ele imaginava, inclusive grandes perigos. Nada de inovador no roteiro, o que é uma pena.

    O principal motivo para ver Doutor Estranho no cinema é sua beleza visual. O longa tem o tom psicodélico dos quadrinhos dos anos 70 e 80 de Steve Ditko, com cenas conceituais incríveis e sequências de ação impressionantes. Imagine o que vimos em A Origem (2010), com múltiplos planos e realidades conflitantes, agora crie algo ainda mais impressionante a partir disso, com elementos conceituais e temas fantásticos sempre difíceis de serem bem trabalhados no cinema, como magia, manipulação do tempo, múltiplos universos, dimensões e realidades alternativas. E de quebra o 3D vale a pena.

    Outro destaque é o grande elenco. Cumberbatch está perfeito como Doutor Estranho. Quando está desesperado em busca de uma cura, entrega bons momentos dramáticos (uma discussão com Rachel McAdams é particularmente intensa), quando tenta ser engraçado ou se mostra no controle de situações inimagináveis, o britânico mostra segurança, carisma e bom humor. Sem dúvida deve conquistar muitos fãs com seu jeito canastrão.

    Por sua vez, Rachel McAdams é incrivelmente simpática e funciona como interesse romântico do herói. Sua participação é pequena, porém importante, pena ela não ter mais tempo de tela. Suas reações aos novos poderes do Stephen são as melhores. Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor e Tilda Swinton estão incríveis e transmitem a sensação de serem pessoas reais com o peso de terem objetivos maiores em suas vidas. Com atuações naturais, praticamente esquecemos se tratar de um filme de super-heróis. Polêmicas à parte, Tilda Swinton está graciosa como Anciã e transmite sabedoria e paz inatas.

    + Conheça o vilão e as ameças místicas do filme

    Já o vilão apenas cumpre seu papel. Como tem sido constante na Marvel Studios, com exceção de Loki (Tom Hiddleston), Kaecilius não impressiona. Mesmo interpretado por Mads Mikkelsen, o antagonista não causa impacto, suas motivações parecem rasas e a forma como acredita estar fazendo a coisa certa para o mundo é difícil de engolir. Embora o ator se esforce para salvar as falhas de roteiro, não existe muito espaço para desenvolvê-lo. Além disso, a batalha final deixa a desejar, apesar da inteligência de Strange, em cena posterior, compensar essa falha.

    Doutor Estranho é uma viagem impressionante, porém, é impossível não ficar um pouco decepcionado pelo roteiro não ir além para causar impacto como Matrix e A Origem fizeram no passado. Mesmo assim, a produção faz bom trabalho ao apresentar esse complexo personagem e introduzir novos elementos ao universo cinematográfico da Marvel. A obra ainda é capaz de criar bastante expectativa para o próximo longa do Mago Supremo e também para vê-lo novamente em filmes como Guerra Infinita e, possivelmente, Thor: Ragnarok.