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    DREDD

    Personagem juiz Dredd é finalmente retratado com respeito em um ótimo filme de ação e aventura<br />
    Por Daniel Reininger
    17/09/2012

    Em 1995, Sylvester Stallone encarnou o anti-herói cult Juiz Dredd, nascido nas revistas britânicas 2000 AD, em um filme que não conseguiu traduzir a dureza, opressão e violência dos quadrinhos. A coisa foi tão feia, que chegou ao ponto de o criador do personagem, John Wagner, se negar a endossar o projeto. Sorte que 17 anos depois, o diretor Pete Travis entendeu a essência do que faz a história tão intensa e poderosa e criou uma obra simples, porém sensacional.

    Para quem não conhece os quadrinhos, Dredd é um policial futurista e extremamente brutal que protege as ruas de Mega City One, uma metrópole distópica, superpovoada e fascista, que ocupa uma área gigantesca entre Nova York e Boston. Para piorar, ela é cercada por um deserto radioativo chamado A Terra Maldita, repleto de mutantes. A história é pesada, afinal nasceu em uma época conturbada do Reino Unido, quando a cultura punk rock estava em declínio e a população via a decadência do país e a ascensão de Margareth Thatcher ao poder, eleita primeira ministra apenas três anos após a primeira edição chegar às bancas.

    Sombrio e incorruptível, Dredd (Karl Urban) é o mais famoso dos juízes, grupo com poder de polícia, juiz, júri e executor. O cara tem uma visão bem clara de seu mundo – ele é a lei. Na trama, o protagonista é designado para treinar uma recruta com poderes psíquicos, a juíza Anderson (Olivia Thirlby). Durante o dia de avaliação, ela escolhe responder a um chamado em uma megaestrutura, praticamente uma favela, de 1 km de altura e lar de 75 mil pessoas. A batida policial resulta numa batalha intensa e na prisão de um dos cabeças da gangue de Ma-Ma, interpretada de forma fria e cruel por Lena Headey. Ao ver em perigo a distribuição de uma nova droga chamada Slo-Mo, ela prende os juízes no complexo e convoca uma caçada brutal aos dois.

    O filme inteiro se passa dentro desse prédio gigantesco chamado Peach Trees, de forma similar ao que acontece no aclamado longa indonésio Operação Invasão. As referências não acabam por aí, é impossível não se lembrar de Duro de Matar, com o valentão John McClane invadindo um prédio dominado por inimigos, e até mesmo do brasileiro Tropa de Elite, ao mostrar a ação policial em uma favela controlada por gangues hostis e como isso afeta a vida das famílias que ali, infelizmente, convivem diariamente com o crime e a violência.

    Ao contrário de outros longas de super-heróis, Dredd tem um estilo visual cru, que o aproxima de Distrito 9, ambos filmados em Johanesburgo. A capital sul-africana serve como cenário perfeito para a imperdoável e decadente Mega City One, que ganha vida e, com isso, também o peso de um personagem capaz de definir as ações de seus moradores, nada a ver com a relativamente limpa e organizada megalópole criada por computação gráfica no filme de 1995.

    Implacável mesmo é Dredd, interpretado por Karl Urban (o Éomer de Senhor dos Anéis) com frieza e determinação. Mostrado pela perspectiva de sua aprendiz, o anti-herói é um personagem sombrio, tenso e com uma obrigação fanática de seguir a lei. O fato de ele não tirar o capacete em nenhum momento, garante ainda mais credibilidade ao intimidador juiz, pois não importa o homem por trás da máscara e sim o uniforme e tudo que representa naquele mundo caótico.

    Em contraste, temos a recruta Anderson, a contraparte emocional da narrativa, muito mais humana que seu instrutor e que, vinda de uma das zonas mais pobres da cidade, sonha em fazer a diferença. Curioso é que ela não usa capacete em nenhum momento, com a desculpa de que isso afetaria seus poderes mentais, mas o real motivo é aproveitar a beleza da atriz e, ao exibir suas expressões, facilitar a identificação do público com os “mocinhos”.

    A intensidade é marca também da bela mixagem de som, trilha sonora e visual. Tudo ajuda a moldar ótimas cenas de ação, que apesar de constantes, não cansam pela variedade e criatividade – destaque para uma traqueia quebrada sem dó em uma das lutas mais brutais do filme. Além disso, a droga Slo-Mo garante algumas boas e bem dosadas cenas em câmera lenta, como a de Lena Headey tomando banho de banheira sob efeito do entorpecente. A habilidade de usar esse recurso sem exagero valoriza a produção e não incomoda.

    Sem medo de chocar, Dredd é um longa de ação cheio de confiança, estilo e violência, que não trata o espectador como criança. Certamente vai agradar tanto aos fãs do personagem quanto a um novo público, interessado em algo mais intenso do que costumamos ver nos cinemas. Mas vá preparado para encarar momentos incômodos, pois a produção não alivia a barra nem por um minuto.