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    DUMBO

    Por Thamires Viana
    26/03/2019

    Quando a Disney anunciou que faria um live-action de Dumbo, muitas dúvidas pairaram os fãs da animação lançada em 1941 sobre um elefantinho orelhudo que tinha o poder de voar, principalmente por trazer Tim Burton na direção, cineasta que usa e abusa de um universo sombrio para contar suas histórias. No entanto, sua escalação foi um dos maiores acertos do estúdio nessa época de resgate nostálgico de suas animações.

    A sensibilidade do diretor em abordar o esquisito traz uma peculiaridade ao personagem que sofre para ser aceito. Há sentimento e doçura sem deixar de lado os pontos crueis que são temas do desenho original. Felizmente, Burton ameniza a temática sombria e apresenta uma adaptação satisfatória 78 anos depois.

    Ambientada em 1919, a trama acompanha o ex-artista de circo Holt Farrier (Colin Farrell) que retorna da Primeira Guerra Mundial após perder um braco. O local comandado por Max Medici (Danny DeVito) está em dificuldades, e Farrier, juntamente com os filhos Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins), é colocado para cuidar de um elefante recém-nascido com orelhas gigantescas e que tem a habilidade de voar. A novidade desperta o interesse do ganancioso V.A Vandemere (Michael Keaton), dono de um famoso parque de diversões.

    Trazendo muita modernidade visual e cenas de tirar o fôlego - principalmente durante os voos do elefantinho - a trama insere cenários multicoloridos e uma fabulosa interação de Dumbo, criado em CGI, com os personagens humanos. Não há efeitos grotescos ou algo que desfoque a fantasia do espectador em acreditar que o animal estava mesmo presente nas gravações. Nada daquilo que vimos acontecer com a Fera no live-action A Bela E A Fera em 2017! Ao contrário de sua primeira versão, o filhote não é falante e se comunica com olhares tristes ou esperançosos que refletem bem o que ele quer dizer aos novos amigos.

    Mesmo com cartas na manga para explorar melhor o veterano de guerra Farrier, o inocente e divertido Max Medici e a bela Collette de Eva Green, o roteiro de Ehren Kruge evita se aprofundar demais nas histórias deles e garante fidelidade à animação e seu foco em Dumbo, que permanece no grande desafio de ser aceito apesar das diferenças e na incansável vontade de reecontrar a mamãe Jumbo. Apesar disso, a dupla de crianças rouba a cena com a pureza da grande amizade com o elefantinho e despertam a simpatia do espectador. A jovem Parker mostra um verdadeiro talento para a atuação e encanta com sua Milly, enquanto Hobbins traz um garotinho divertido que acompanha as aventuras da irmã mais velha. 

    Outro grande destaque nesse interessante universo circense é Keaton, que repete a parceria com Burton e DeVitto desde Batman - O Retorno, e insere uma energia contagiante em suas cenas. Ainda que não seja um vilão malígno que destrói o sonho dos mocinhos, sua atuação é convincente e poderosa ao dar emoção a uma trama simples.  

    Dumbo chega como uma das melhores adaptações da Disney e, certamente, como um dos melhores trabalhos dirigidos por Burton. Em um ano em que o estúdio trará O Rei Leão e Aladdin, o live-action do orelhudo é, sem dúvidas, um excelente começo para essa era de nostalgia proposta para os clássicos que marcaram a nossa infância.