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    'Duna' é um dos filmes mais impressionantes que você verá no cinema

    Adaptação do Best-seller de Frank Herbert é espetáculo cinematográfico
    Por Daniel Reininger
    20/10/2021 - Atualizado há 2 dias

    Um dos maiores livros da ficção científica, Duna de Frank Herbert, já foi considerado infilmável, chegou a ser adaptado por David Lynch em um filme esquisito de 1984 e virou uma razoável minissérie em 2000. Nenhuma delas conseguiu traduzir as questões épicas e espirituais da obra original para as telas. Mas então Denis Villeneuve (A Chegada) assumiu a direção, fez uma obra magnífica e chegou perto de adaptar com sucesso esse épico para as telas, com um longa tanto profundo, quanto divertido.

    Antes de mais nada, é importante apresentar Duna. É preciso entender a magnitude dessa obra, que apresenta diversas questões e tramas copiadas posteriormente em diversas produções famosas da cultura pop, como Star Wars.  E seu impacto não para por aí, o romance já foi até mesmo apontado como O Senhor dos Anéis da ficção científica e figura entre as criações mais relevantes do Século XX.

    A trama traz a desconstrução da realeza por meio da vivência em uma terra inóspita, além de uma análise da própria condição humana. Temas relevantes para a sociedade atual são abordados na saga, como a religião, fanatismo e o meio ambiente.

    Duna se passa em um futuro muito distante, por volta do ano 10.000, quando a organização da sociedade mudou completamente. Nesse mundo, naves e armamentos modernos mostram o avanço tecnológico da raça humana, mas, em contraste, temos um sistema feudal de Casas nobres em um Império com uma estrutura política retrógrada. É uma galáxia brutal.   

    Na trama, o duque Leto Atreides (Oscar Isaac) aceita a administração do perigoso planeta deserto Arrakis, a única fonte da substância mais valiosa do universo: a "especiaria" ou “Melánge”, uma droga que garante a possibilidade das viagens intergalácticas. Além disso, ela prolonga a vida humana e fornece níveis acelerados de pensamento.

    Embora Leto saiba que a oportunidade é uma armadilha criada por seus inimigos, os Harkonnen, ele leva sua concubina Lady Jessica (Rebecca Ferguson), seu filho e herdeiro, Paul (Timothée Chalamet), e os conselheiros mais confiáveis para Arrakis, também conhecido como Duna.

    Cena do filme Duna, com Timothée Chalamet e Rebecca Ferguson no desertoDivulgação

    O diretor tomou a questionável decisão de dividir o extenso romance em dois filmes separados, então, na verdade, o título desse é Duna - Parte Um. O resultado dessa divisão é a possibilidade de explorar momentos e personagens importantes da história e realmente se aprofundar no grande trabalho de criação de mundo feito por Herbert. 

    Entretanto, todos nós sabemos que o que funciona em um livro pode não funcionar no filme, e vice-versa, portanto, o maior erro de Villeneuve com Duna - Parte Um é como a sua segunda metade parece sem foco, quase como se o filme não soubesse como ou onde terminar, antes de acabar repentinamente. 

    Existe um motivo para essa sensação de perda e confusão no livro, mas no filme não funciona tão bem, principalmente pelo fim, que encerra a trama no meio. E a falta de previsão de lançamento do resto da história apenas piora a sensação de que nada foi finalizado.

    Dito isso, é preciso deixar claro que esse longa é, sim, uma obra-prima, digna dos 10 minutos de aplausos no Festival de Veneza, afinal é capaz de nos transportar para um planeta alienígena num futuro distante por meio de suas muitas realizações técnicas, impressionante design de produção, figurinos inspirados, fotografia, som, efeitos visuais da mais alta qualidade. 

    Das vistas de tirar o fôlego, aos enormes e assustadores vermes da areia, todo detalhe é magnífico neste mundo fantástico. Sem falar que Villeneuve impressiona com sua capacidade de pegar conceitos de ficção científica e renová-los, algo importante, ainda mais quando muitos elementos desse livro já foram vistos em filmes e séries diversos das últimas décadas.

    Timothée Chalamet estrela Duna ao lado de grandes nomes do cinemaDivulgação (Warner Bros)

    O roteiro também faz bem ao injetar doses de humor nos eventos que moldam esse universo, até por isso é importante a escalação de atores carismáticos como Jason Momoa (Aquaman) e Josh Brolin (Deadpool 2). Os personagens de ambos servem essencialmente como mentores de Paul, ensinando-o a lutar e a entender seu papel no mundo. Já Lady Jessica, de Rebecca Ferguson, sabe que talvez algo ainda mais contundente aguarda seu filho em Arrakis e ela está disposta a arriscar tudo para ver como isso irá se desenrolar.

    O magnífico elenco, cheio de rostos familiares, como Javier Bardem no papel do líder dos Fremen, povo nativo de Duna, ou Stellan Skarsgård, como grotesco e sinistro Barão Vladimir Harkonnen, entendem a importância dessa obra e dão seu melhor com atuações sólidas, mesmo quando seria fácil cair em caricaturas. 

    Sem dúvida, Duna, de Denis Villeneuve, é lindo de se ver, uma adaptação fiel da primeira metade do magnífico romance de Frank Herbert. Embora dividir a história em duas partes garanta espaço para a trama respirar, também causa sua maior falha: o fim abrupto, logo após um segundo ato de menor impacto.

    Mas não há dúvidas de que esse é um filme tecnicamente brilhante, visualmente incrível, com um inspirado elenco de primeira linha. Sem falar na forma como apresenta magníficos conceitos de ficção científica explorados com extrema competência na tela.

    É bem provável que quando as duas partes estiverem lançadas, tenhamos uma obra espetacular, as quais vistas juntas serão incontestáveis. Inclusive seria ideal a Parte 1 ter saído apenas meses antes da Parte 2, o que não será o caso, infelizmente. Por enquanto temos uma ótima metade, que nos deixa extremamente ansiosos para ver como o resto da trama se desenrolará na tela, mas já é capaz de garantir uma experiência inesquecível na sala de cinema.

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