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    DUNKIRK

    Esse é um dos melhores filmes de Nolan e também do ano
    Por Daniel Reininger
    26/07/2017

    Dunkirk é uma obra realmente impressionante. Com três perspectivas diferentes, no ar, na terra e no mar, Christopher Nolan rege com maestria uma intrincada trama que mostra um dos momentos mais importantes da Segunda Guerra Mundial, a retirada de milhares de soldados das forças aliadas da Europa, impedindo um massacre que teria deixado a guerra na mão dos nazistas.

    Esse não é um filme de guerra convencional. Ao mostrar o drama de mais de 400 mil soldados isolados na costa do norte da França, cercados pelo inimigo, o longa tem poucos combates, quase nenhuma cena sangrenta, raramente os nazistas são vistos e, quando isso acontece, é por sombras ou dentro de aviões. O foco aqui é o drama pela sobrevivência e o desespero dos soldados presos em uma situação mortal.

    O filme não perde muito templo explicando as coisas óbvias, com exceção de uma ou outra cena, como quando dois soldados escondidos ouvem oficiais comentando a morte certa. Fora isso, o longa não cai em clichês como histórias de antes da guerra ou saudades de entes queridos, ao invés disso mostra jovens aterrorizados que só querem uma coisa: sobreviver. A falta de aprofundamento de personagens não faz falta, já que faz pouca diferença quem essas pessoas eram antes de se encontrarem nessa situação.

    A tensão é grande do começo ao fim. Como em Gravidade, você sente a pressão e o desespero da situação na pele e é difícil permanecer impassível diante de tamanha opressão e falta de esperança.

    Os atores, a maioria desconhecidos, são ótimos, apesar dos poucos diálogos. Harry Styles, do One Direction, impressiona como ator, mesmo com sua pouca idade e falta de experiência na área. Kenneth Branagh e Tom Hardy estão muito bem, mas o destaque mesmo é Mark Rylance como o heroico Mr. Dawson, um civil que atende a um chamado por ajuda e vai com sua embarcação para o meio da guerra.

    Dunkirk é visualmente impressionante, o ar cinzento ajuda a criar a sensação de falta de esperança, a névoa toma conta, quase como se transformasse aquele local em algo irreal, místico. A fotografia só não é mais importante do que os efeitos sonoros. Momentos de silêncio quase sobrenatural são quebrados por explosões ou pelo motor dos caças inimigos e o impacto de cada ataque é sentido pelo espectador, com a urgência da situação ampliada pela trilha sonora inspirada de Hans Zimmer.

    Quando o silêncio retorna, os diálogos se tornam desnecessários, não há o que falar. Todos querem sair de lá o mais rápido possível e falar sobre o assunto não muda nada. É ousado fazer um filme desses com tantos momentos de silêncio, mas é exatamente essa calma, quase aceitação do destino cruel que os espera, quebrada apenas por momentos de horror, com imagens lindamente filmadas em Imax, que faz do filme algo tão impactante.

    A passagem do tempo pode gerar confusão, é preciso ficar atento, afinal a parte terrestre se passa ao longo de uma semana. A parte no mar se passa ao longo de um dia e a parte aérea ao longo de uma hora e quando as histórias convergem ou a mesma situação é vista de pontos de vista diferentes pode haver um estranhamento, mas é um recurso usado de forma inteligente para o peso narrativo necessário para a história, mesmo que, às vezes, não fique tão claro se a situação é nova ou não.

    Dunkirk mostra o horror de milhares de pessoas esperando para serem massacradas, com a salvação apenas a alguns quilômetros de distância, mas fora de alcance. Atuações sólidas, atenção ao detalhes e qualidade técnica inegável fazem desse filme um dos melhores de Nolan e do ano, graças à forma como retrata o heroísmo, mostrado com pequenos atos aparentemente comuns, como uma porta aberta na hora certa, um voo um pouco mais longo, um desvio de rota, pequenos gestos que fazem uma grande diferença.

    A guerra durou mais cinco anos depois dessa batalha, mas o mundo poderia ser um lugar bem diferente se essa retirada não tivesse dado certo e conhecer o drama de quem viveu esses dias de desespero é tocante.