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    DZI CROQUETTES

    Edição do documentário sofre da síndrome de Huguinho, Zezinho e Luisinho<br />
    Por Sérgio Alpendre
    07/07/2010

    Vocês se lembram dos sobrinhos do Pato Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho? No imaginário de Patópolis e arredores, onde as pessoas não têm pais nem filhos, só tios e sobrinhos, esses três meninos que andavam com bonés de cores diferentes (azul, verde e vermelho, só que eles sempre trocavam). Quando se pronunciavam sobre alguma coisa, era como num jogral. Um começava a frase, outro continuava, e o terceiro completava. Sentir raiva dessa prática estúpida era inevitável. Pior ainda quando a coisa vira moda para montadores espertinhos de documentários quadrados.

    É o que acontece com Dzi Croquettes, filme irritante de Tatiana Issa e Raphael Alvarez. O documentário chama a atenção para um dos grupos mais originais e subversivos do meio artístico brasileiro. Um verdadeiro OVNI, mesmo naqueles tempos (os anos 1970) em que a ousadia era quase um mandamento de certas frações da classe.

    Mas são tantos jograis, tantos depoimentos picotados como quem corta cebola para temperar a comida, tantos adjetivos repetidos por diversos entrevistados, que a coisa começa a ficar insuportável com menos de meia hora, e se torna realmente irritante na metade final dos longos 110 minutos de projeção.

    Até então, o filme ainda tinha um mérito - pequeno - de tornar visível o óbvio, que o grupo de artistas que se intitulava Dzi Croquettes era mesmo genial. Depois, sobra apenas a irritação pelo esvaziamento da homenagem em prol da lei da agilidade narrativa.

    Ou essa moda termina de maneira drástica, ou esse tipo de documentário brasileiro deve ser mais combatido do que as comédias da Globo derivadas de suas séries.