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    É O FIM

    Longa oscila entre humor crítico e superficial
    Por Ana Carolina Addario
    10/10/2013

    Com tantos roteiros dispostos a propor sua versão para o fim do mundo, rir do apocalipse pode ser uma saída inteligente para romper a previsibilidade das profecias da extinção humana. Com uma boa dose de clichês, palavrões e escatologia, o longa É O Fim consegue entreter com escracho e ser fiel ao propósito de um humor não convencional, se arriscando à crítica do gênero. Por outro lado, está recheado de nojeiras, ofensas e até uma pitadinha de machismo.

    Ambientada no âmago da lifestyle hollywoodiana, a aventura traz Seth Rogen, Jay Baruchel, James Franco, Danny McBride, Jonah Hill e Craig Robinson em busca da salvação de suas almas enquanto o apocalipse consome a terra em chamas e destruição. Surpreendidos no meio de uma festa regada a drogas e álcool na mansão de Franco, uma verdadeira fortaleza de luxo, o grupo se vê obrigado a buscar (com ou sem sucesso) sua redenção espiritual ou correr o risco de apodrecer no inferno.

    Nenhuma novidade quanto à crítica aos infindáveis roteiros baseados na previsão bíblica do Livro das Revelações. Mas com a qualidade dos "heróis" eleitos na história, encontrar a salvação enquanto a terra é devastada pelo mal se torna uma tarefa incomum e engraçada (embora um pouco repetitiva), já que o vaidoso Hill se gaba o tempo todo pela indicação ao Oscar, o tarado McBride passa o filme se masturbando, o avarento James Franco esconde mantimentos dos colegas famintos e por aí vai.

    Embora batido, o eterno conflito entre sagrado e profano de É o Fim ganha seus pontos quando é politicamente incorreto (comparar a santíssima trindade a um sorvete napolitano é excelente), mas nem sempre a fórmula dá certo. Ao estilo clube do Bolinha, as perseguições malignas ficam por conta de demônios superdotados e exorcismos regados a vômito, enquanto a zona de conforto dos marmanjos é encontrada em barrinhas de chocolate caramelizados e grandes viagens de álcool e ácido.

    Com fotografia despretensiosa, as cenas de Hollywood em chamas beiram o tosco, bem como os takes da mansão de Franco e dos monstros que promovem a caçada dos personagens. Mas se a arte do filme deixa um pouco a desejar, o ritmo da trama capricha para manter a atenção do público, que é surpreendido com boas piadas até os últimos minutos do filme, literalmente.

    Sem pudor da zoação, a melhor surpresa de É o Fim fica por conta do desapego em fazer piada de suas próprias figuras públicas. Assim, interpretar a si mesmos em um besteirol com todo potencial para acabar com sua reputação revela como os humoristas são mais eficientes até do que os tablóides especializados em criticar e fazer piada.

    "Vai rolar uma festa na casa do James Franco hoje", afirma Seth Rogen no início do filme, pouco antes de encarar o fim do mundo. Mas até chegar lá, eles tomam todas, ficam chapados, azaram as gatinhas da cena pop (Rihanna e Emma Watson) e despejam besteira nos ouvidos do público. Não dá para duvidar que o projeto surgiu mesmo depois de uma festa dessas, que a gente só ouve falar que acontece em Hollywood.

    Com boas sacadas em uma maré de clichês intencionais, É o Fim parece uma daquelas boas ideias para ganhar dinheiro fazendo o que todo mundo gosta: zoar seus amigos. A arrecadação de mais de US$ 122 milhões em todo o mundo, quase quatro vezes o orçamento total da produção, sugere que a empreitada despretensiosa de Seth Rogen e Evan Goldberg realmente deu certo.