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    É PROIBIDO FUMAR

    Roteiro e direção impecável de Anna Muylaert revelam o talento de Gloria Pires como mulher comum<br />
    Por Ana Martinelli
    03/12/2009

    “Um artista só pode falar do que conhece”. A frase dita por Giuseppe Tornatore sobre seu trabalho mais recente e pessoal, Baarìa – La Porta Del Vento, faz sentido para todos os que buscam o cinema como visão de mundo. Por isso vou pegá-la emprestada para falar do segundo filme de Anna Muylaert, É Proibido Fumar.

    Baby (Gloria Pires) é uma professora de violão, solteira e fumante compulsiva. Max (Paulo Miklos, O Invasor) é um roqueiro que acredita que ainda pode dar certo, mas vive de tocar “sambão” em churrascaria. Nenhum deles é extraordinário ou fez algo sensacional da vida, são apenas pessoas comuns.

    Numa rápida reflexão a vida é recheada de eventos excitantes ou de tempos de espera? Os ingênuos que me perdoem, mas o cotidiano está mais para rotina do que para uma aventura por dia. E daí? Mesmo os pessimistas sabem que de uma hora para outra o inesperado pode acontecer.

    É Proibido Fumar está na categoria em que o cinema retrata a vida e, na qual o espectador, ao decidir compartilhar o olhar do autor, enxerga graça no comum. No roteiro e na direção, Anna Muylaert (Durval Discos) é uma realizadora generosa: busca enquadramentos e planos que coloquem o espectador dentro da ação. Desta forma, estabelece uma relação de empatia com os conflitos e as alegrias de seus personagens. Sem julgamentos e estereótipos.

    Para interpretar Baby, Gloria Pires (Se Eu Fosse Você 2) fez muito mais do que aprender a tocar violão. Apesar de ter uma carreira consolidada na televisão e razoável nas telonas – com mais de dez filmes em seu currículo – é a primeira vez que ela faz cinema, de fato. Com Baby, a atriz revela que dá conta de papéis mais desafiadores e acerta nas nuances da humanidade que uma mulher comum tem, em sua complexidade.

    É Proibido Fumar é um deleite para quem ama o cinema. Anna sabe o que quer contar e como contar. O filme contém duas narrativas: a da imagem e a do som/trilha sonora, personagem fundamental dentro da trama. Ora se complementam, ora se contrapõem. Alternam-se na importância para dar ritmo, consistência aos personagens e veracidade à história. Assim, cria uma terceira narrativa, o filme. E isso, é cinema.

    A montagem amarra de forma sutil uma série de elementos que no começo podem parecer “tempos mortos” para mostrar a banalidade da vida. Com o desenrolar dos fatos, o ritmo do filme cresce. O que parecia banal ganha tamanha importância para trama que, a cada nova aparição, nos deixa mais tensos.

    Com a grande reviravolta na vida de Baby, em meio a uma crise de abstinência de nicotina e a desconfiança de que está sendo traída, o filme cresce, sem nunca deixar de ser tenro. É Proibido Fumar fala essencialmente de pessoas e as coloca em situações difíceis de resolver, revelando que não somos bons nem maus, somos as duas coisas. Há erros, acertos, desconfianças, inseguranças, mentiras e amor.