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    E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS?

    Apesar de pequenas falhas, a produção agrada e consegue o mais importante: fluidez. <br />
    Por Paulo Cintra
    12/10/2012

    E se Vivêssemos Todos Juntos? é um filme, acima de tudo, agradável. Abordar temas que relacionam nostalgia com limitações impostas pela idade não é nenhuma fórmula inovadora, mas neste caso é algo que funciona. O diretor e roteirista Stéphane Robelin fez um ótimo trabalho ao desmistificar certos dogmas que envolvem a terceira idade, principalmente o erotismo.

    Com diversas cenas de nudez e conversas naturais extremamente difíceis de reproduzir nas telonas, o longa cativa o espectador gradualmente. Com muito cuidado o perfil dos personagens é apresentado ao público, cada um com seu estereótipo.

    Dentre o experiente elenco, destaque para Jane Fonda, que apesar das plásticas excessivas, continua com sua beleza cativante e ótima atuação. Do lado masculino, a interpretação de Claude Rich é o ponto alto do filme. Ele encarna um verdadeiro sedutor inveterado ao melhor estilo Gabriel García Márquez, não é à toa que o livro Memórias de Minhas Putas Tristes é referência em umas das cenas.

    Por outro lado, dois personagens deixam a desejar em alguns aspectos: Jean Colin, comunista excluído de seu grupo político devido à idade, é vivido sem muito brilho por Guy Bedos e se torna um tanto quanto raso em alguns momentos. Já o jovem Dirk, personagem de Daniel Brühl, possui algumas passagens mal explicadas, mesmo sendo fundamental à trama.

    Apesar destas pequenas falhas, a produção consegue o mais importante: fluidez. O sentimentalismo é levado à flor da pele em muitos momentos, às vezes até em exagero, mas não se torna um problema. Pelo contrário, é elemento fundamental para que você embarque na história.

    A pergunta, que dá nome ao longa e é combustível para todo o enredo, sintetiza bem a mensagem do filme: como um desejo pode se tornar realidade graças às necessidades que a vida estabelece. As condições físicas e mentais dos idosos são expostas com realidade. Há certa glamourização em algumas cenas, porém justificada como escalada para ótimas piadas ou, então, diálogos interessantes.

    E se Vivêssemos Todos Juntos?
    cresce aos poucos até um desfecho forte e marcante. Traz algum discurso político, nada exagerado, e nos remete em alguns momentos a Os Sonhadores, do qual parece ser uma versão envelhecida. Bem montado e dono de uma trilha sonora cativante, o filme, assim como o drama Intocáveis, é mais um exemplo de que algo longe de Hollywood pode ter fórmula capaz de interessar, ao mesmo tempo, cinéfilos e o grande público.