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    ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ

    Por Angélica Bito
    27/03/2009

    Quem acompanhou o seriado Sex and the City, produzido entre 1998 a 2004, pode lembrar do personagem Jack Berger (vivido por Ron Livingston), um escritor bacana com quem Carrie (Sarah Jessica Parker) começa a sair. Se o relacionamento dá certo é um detalhe, mas o fato é que Berger trava um diálogo muito simples com as amigas de Carrie, finalmente dando uma visão masculina à série: se o cara não liga após o encontro ou não dá sinais de interesse, a coisa é simples, ele não está a fim.

    O fato é que o episódio, exibido em 2003, deu origem ao livro de auto-ajuda - um pouco menos quadrado, mas tão otimista e cheio de conselhos quanto as publicações que dividem a mesma prateleira nas livrarias - Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você, escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccillo, roteiristas da série de TV. Com uma linguagem direta, diagramação e estrutura narrativa similar a uma seção de revista feminina, o livro, publicado em 2005, conquistou não somente as leitoras, mas também Hollywood, que deu nomes, personalidades e atores famosos às situações exploradas na obra literária, transformando-a na simpática comédia romântica Ele Não Está Tão a Fim de Você.

    As vozes de Behrendt e de Berger, o personagem, que representam a visão masculina da paquera e dos relacionamentos amorosos, é incorporada no longa-metragem por Alex (Justin Long), um aparentemente bem-resolvido gerente de bar que fica amigo de Gigi (Ginnifer Goodwin). Por sua vez, ela é a personificação de tudo que as mulheres fazem de errado em se tratando de amor. Ou encontrar um amor. Ansiosa, insegura e autodepreciativa, Gigi vira uma espécie de projeto para Alex, que a adota como um cão abandonado e serve de conselheiro para as investidas amorosas da pobre moça.

    Mas Gigi não é a única a passar pelos percalços românticos de Ele Não Está Tão a Fim de Você. Tem a mulher casada e insegura após anos de relação (Jennifer Connelly), a sedutora que se comporta como um homem e ameaça casamentos (Scarlett Johansson) - o tipo de mulher que você nunca quer que atravesse o seu caminho, se você for do sexo feminino -; a mulher que namora há muitos anos, mas não consegue fazer com que o namorado a peça em casamento (Jennifer Aniston); aquele que não acredita em casamento (Ben Affleck); aquela que só consegue se relacionar por meio de sites, recados na secretária eletrônica, webcam e outras ferramentas modernas e nada "orgânicas" (Drew Barrymore).

    Cada um desses muitos personagens representam o tipo de visão que cada um tempo em relação ao amor, esse sentimento tão superestimado. Nesta comédia romântica, todos estão à procura de sua alma gêmea, o que me parece um pouco simplista, mas esta não é a maior preocupação de filmes deste gênero. Mesmo assim, os personagens de Ele Não Está Tão a Fim de Você e as relações que desenvolvem entre si são interessantes principalmente por representarem contrapontos de atitudes tipicamente femininas e masculinas. Neste sentido, os personagens de Scarlett e de Kevin Connolly - o homem apaixonado capaz de se humilhar num relacionamento raso e inseguro - representam uma troca de papéis. Ou de gêneros, no caso. Alguns diálogos lembram o grande clássico do gênero Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro e essa abordagem no roteiro do longa é uma das coisas mais interessantes que ele traz - diálogo que, aliás, também existe no livro original.

    Na eterna guerra dos sexos, Ele Não Está Tão a Fim de Você não se posiciona em nenhum lado da trincheira, passeando entre ambas nas situações que apresenta. Ao traduzir de forma tão honesta o comportamento feminino em relação ás expectativas amorosas que elas mesmas criam em suas mentes - por conta de histórias que sempre contamos ou filmes românticos que sempre vemos -, trata-se de um filme tipicamente feminino também por ser capaz de dialogar melhor com esse público, que, naturalmente, já recebe o gênero com maior aceitação.

    Em meio a tantos lugares comuns explorados por comédias românticas, Ele Não Está Tão a Fim de Você, dirigido por Ken Kwapis (Licença Para Casar) ainda é capaz de trazer um certo frescor, ao mesmo tempo em que é capaz de fazer com que as mulheres reavaliem a forma como encaram o amor, embora ainda termine de uma forma otimista. Afinal, é isso que as mulheres querem: um final feliz. Mesmo que ele fique somente no cinema.