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    ELES VOLTAM

    Viés político maniqueísta e batido mina força do filme
    Por Roberto Guerra
    05/03/2014

    Eles Voltam conta a história de dois irmãos adolescentes de classe média que são abandonados pelos pais numa estrada de Pernambuco. Não imaginamos o motivo e o filme, de pronto, nos fisga por queremos saber o que desencadeou a atitude drástica. Principalmente por imaginarmos que os pais logo voltarão para buscá-los, o que não ocorre.

    As respostas só virão mais tarde, mas as desventuras de dois jovens atrás de se virarem sozinhos sem o conforto a que estão habituados são suficientemente atrativas para manter a audiência presa à trama.

    A protagonista é Cris, de 12 anos, interpretada pela novata Maria Luiza Tavares. Seu irmão, impaciente, sai para buscar ajuda e não volta. Um garoto passa de bicicleta e, curioso, pergunta se a menina é da região. Ela, com medo, nada diz. Escurece e Cris passa a noite num banco de beira de estrada sozinha. Pela manhã, o mesmo ciclista passa e lhe oferece ajuda.

    Sem opção, a menina sobe na garupa do rapaz, que a leva até sua casa num assentamento de barracos feitos de madeira e lona. A partir daí, o desafio de voltar para casa fará com que ela se redescubra e tome contato com uma realidade a qual estava alheia: gente pobre. Quando finalmente voltar à sua vida cotidiana, não será mais a mesma.

    Aqui o filme peca ao encampar um discurso político ultrapassado sobre burguesia alienada e insensível versus plebe gente boa e batalhadora. O tradicional mea-culpa da elite intelectualizada realizadora e habitué dos festivais de cinema brasileiros. Não à toa o longa dividiu o prêmio de melhor filme com Era Uma Vez Eu, Verônica no Festival de Brasília de 2012.

    Eles Voltam marca a estreia do diretor Marcelo Lordello em longas-metragens. Impecável do ponto de vista técnico, a produção é bem conduzida e fica claro que Lordello sabe posicionar sua câmera e tem sensibilidade para captar os dramas de momento.

    Deveria ter passado seu argumento para ser lapidado por um bom profissional de roteiro, o que evitaria que o filme se perdesse em desvãos narrativos despropositados e se excedesse no discurso social maniqueísta.