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    ELLES

    Devaneios desordenados dão o tom do enredo, mesmo que isso dificulte a compreensão em alguns trechos<br />
    Por Antoniela Canto
    19/07/2012

    O filme franco-polonês Elles, drama que inaugurou a Mostra Panorama da última edição do Festival de Berlim, traz Juliette Binoche como protagonista da história.

    No filme, Juliette interpreta Anne, jornalista que investiga a vida de duas jovens que usam o sexo para finaciar seus estudos. Enquanto mergulha no tema e estreita sua relação com as garotas, revê seu casamento, já desgastado pelo tempo.

    A forma como a diretora Malgorzata Szumowska apresenta a trama se assemelha a um documentário, já que as garotas que são entrevistadas por Anne (Juliette Binoche), respondem a perguntas do tipo “Como foi a primeira vez?”, “Como são os clientes?”, “Por que se prostituem?”, etc.

    As respostas são recebidas com certa imparcialidade, quase sem julgamentos. No entanto, a jornada com as duas garotas mexe com a sexualidade da jornalista. Quase como se ela quisesse resolver seu relacionamento com o marido ao saber do que os clientes mais gostam.

    Reconstituições, depoimentos e devaneios desordenados dão o tom necessário para o desenvolvimento do enredo, mesmo que isso dificulte a compreensão em alguns trechos.

    As duas meninas que interpretam as estudantes prostitutas da história, são Anaïs Demoustier (As Neves do Kilimanjaro) e a polonesa e quase estreante Joanna Kulig, que estão muito bem em seus papeis: verdadeiras, humanas e reais.

    Mas é Juliette quem dá um banho de interpretação ao se desprover de qualquer vaidade para interpretar Anne. Embora já tenha sido o rosto da Lancôme por muito tempo, ela não tem medo de envelhecer e, na minha opinião, continua belíssima e ótima atriz. Conseguimos nos ver em seu papel. Em seu mundo.

    A trilha sonora é uma delícia: vai da música clássica de Bethoven até Les Feuilles Mortes, de Jacques Prévert, por exemplo.

    Elles não se trata de uma defesa ou afirmação da prostituição. É mais um recorte sobre a vida como ela é: o dia-a-dia de uma mulher em sua família classe média alta com marido e filhos e a rotina de duas garotas que administram vidas duplas, mantendo a prostituição escondida de namorados e parentes.