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    ELYSIUM

    Ficção impactante perde peso ao eleger um típico herói
    Por Cristina Tavelin
    18/09/2013

    Desde seus primórdios, a ficção científica serve-se de metáforas para conceber outras realidades. Não se trata simplesmente de prever o futuro, mas de embalar o presente numa lâmina afiada. Com base nessa fórmula, o diretor sul-africano Neill Blomkamp realizou o aclamado Distrito 9. Em Elysium, apesar de ter em mãos um mote simples e genial, deixou a desejar.

    A trama se passa na Terra de 2159, quando a escassez de recursos e a superpopulação fizeram do planeta um lugar completamente insalubre. As diferenças sociais chegaram ao ápice e os "bem-aventurados" financeiramente voaram longe do resto – para estação espacial que dá nome ao filme.

    O início do longa apresenta a infância de Max (Matt Damon) e Frey (Alice Braga) num orfanato. Ele promete levá-la para Elysium quando crescer. O recorte de flashbacks resulta num primeiro momento muito distante da qualidade de Distrito 9, o qual prende o espectador com sua montagem criativa.

    Após superar a entrada cheia de clichês, a trama flui num bom ritmo ao mostrar a ambientação da Terra distópica, envolta numa miséria sufocante. A representação das condições terrenas e da desumanização no tratamento das pessoas é um dos pontos altos. Em uma cena de humor negro, Max não alcança muitos resultados ao dialogar com um robô atendente.

    Desde o começo, fica claro que teremos um mártir pronto para sacrificar-se pela humanidade. E a polarização extrema dos personagens incomoda: suas nuances são achatadas, não há margem para questionamentos. Nessa linha surge a secretária de segurança Delacourt (Jodie Foster): o inimigo, antes assimilado ao sistema, personifica-se na tirana.

    Max, como todo restante da população da Terra, deseja chegar ao novo mundo. Essa necessidade acelera quando o protagonista sofre um grave acidente envolvendo radiação e fica entre a vida e a morte. Para chegar à estação, conta com a barganha de Spider (Wagner Moura), que leva imigrantes ilegais para o espaço; e precisa roubar dados mentais de um cidadão de Elysium para garantir sua passagem.

    O personagem do ator brasileiro, dentre todos, é o mais caricato. E, se por um lado, algumas atuações são exageradas, por outro, pecam na falta de consistência. A relação de Frey com Matilda, por exemplo, abre uma brecha para questionar a interpretação de Alice Braga: em determinada cena, a filha está desfalecida em seus braços e ela não parece ligar muito.

    Voltando para a parte visual, onde Elysium se banca, vale destacar as cenas de lutas entre os militares da estação espacial sob liderança de Kruger (Sharlto Copley, protagonista de Distrito 9) e aqueles que tentam adentrá-la. A mistura entre agilidade e câmera lenta nas destruições de corpos e robôs torna as cenas nítidas e empolgantes.

    A atenção dada à Terra, infelizmente, não se desdobra sobre a morada dos ricos - pouco é mostrado de seu interior e dia a dia. Uma pena, pois o formato interessante instiga o espectador. Entretanto, deixar apenas uma pequena fresta aberta pode ter sido opção do diretor.

    O novo longa de Neill Blomkamp, assim como seu antecessor, tem o inegável mérito de levar discussões fundamentais para o grande público em forma de entretenimento. Pelo ritmo bom, ótima ambientação e metáforas incisivas, Elysium se sobressai. Pela pouca densidade de seus personagens e por apostar na visão de um mártir, perde impacto. Provavelmente, vai frustrar parte das expectativas depositadas sobre a produção.