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    EM PARIS

    Por Angélica Bito
    28/12/2007

    Dirigido e escrito por Christophe Honoré (Novo), Em Paris é diretamente influenciado pela escola cinematográfica francesa nouvelle vague. Verborrágico, o longa é despretensioso e consegue balancear harmoniosamente as tragédias e o humor das situações vividas pelos personagens.

    Paul (Romain Duris, de Bonecas Russas) e Jonathan (Louis Garrel, de Amantes Constantes) são dois irmãos que vivem nos arredores de Paris. Jonathan, o mais novo, é quem conduz o espectador na apresentação da história do irmão, principalmente em se tratando de seu relacionamento fracassado com Anna (Joana Preiss).

    O filme acompanha os personagens em dois momentos: Jonathan, tentando fazer com que Paul saia da depressão, passeia pelas ruas de Paris para tirá-lo de casa, mas seus objetivos sempre são obstruídos quando seu caminha cruza com os de belas garotas. Esses momentos cômicos de Em Paris são cortados pelas as crises depressivas do irmão mais velho, que relembra os bons e, principalmente, maus momentos com a ex-mulher.

    As relações familiares estabelecem a forma como os personagens masculinos de Em Paris se comportam, tanto entre os irmãos quanto entre eles e o pai (Guy Marchand). São homens acostumados a um relacionamento frio que, na depressão do irmão mais velho, têm de fazer esforços, cada um a sua maneira, para conseguir ajudá-lo nesse momento.

    Tudo é feito de uma forma muito sutil e despretensiosa. A forma como as câmeras de Honoré acompanham Jonathan por Paris lembram produções da nouvelle vague, bem como a forma como ele interage com as mulheres que encontra durante o dia e a verborragia, típica do clássico cinema francês. Destaca-se a atuação densa e complexa de Duris, que é capaz de mostrar todo o inferno no qual seu personagem está inserido em apenas um olhar.