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    EM UM MUNDO MELHOR

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    Por Celso Sabadin
    08/02/2011

    Preconceito, intolerância e falta de comunicação. Estes três elementos, quando combinados, dão origem às mais imprevisíveis tragédias, das pequenas e pessoais que acontecem no quintal de nossa casa, às gigantescas e sociais que ganham as manchetes dos noticiários. Independente das proporções, a semente é sempre a mesma: a violência.

    A tese é muito bem demonstrada na coprodução sueco-dinamarquesa Em um Mundo Melhor, novo filme da diretora Susanne Bier, a mesma de Depois do Casamento e Coisas que Perdemos pelo Caminho.

    No roteiro de Anders Thomas Jensen (um dos roteiristas também de A Duquesa e Depois do Casamento), o preconceito, a intolerância e a falta de comunicação perpassam situações que unem (ou separam?) Elias e Cristian, dois garotos que se tornam amigos numa pequena cidade dinamarquesa. Ambos vivem, de formas diferentes, situações de bullying na escola onde estudam. Num primeiro momento, chega a se pensar que este será o tema do filme: o tão discutido bullying, formas de violência e constrangimento moral que têm assolado as escolas do mundo inteiro, ganhando livros e estudos intermináveis, e de solução muito longe de ser alcançada.

    Mas não: Em um Mundo Melhor vai muito além, e usa as famílias de Elias e Cristian para compor um painel interligado e globalizado que escancara na tela os diversos caminhos da escalada da violência no mundo atual. Seja este mundo uma pacata cidadezinha dinamarquesa ou um país africano em Guerra Civil. Pouco muda, a não ser a escala.

    É interessante notar como a falta de diálogo é colocada no filme como um dos grandes elementos catalisadores das situações limites. Um filho pensa que seu pai deixou a mãe morrer, e passa a nutrir por ele um desprezo infinito. Uma mulher faz um garoto acreditar que ele é o responsável pela morte do filho, o que quase provoca uma nova morte. Um menino assume que o pai de seu amigo precisa ser vingado de um tapa que recebeu no rosto. Pensa-se, acha-se, assume-se… mas nada se fala, nada se discute, não se abrem os corações. Tudo o que não é dito vai se avolumando sob a forma de ódio, e terá de explodir em algum momento. Ou em vários momentos. Ressentimentos que seriam rapidamente dissipados através de um diálogo franco e aberto assumem proporções trágicas e incontroláveis, alimentadas pela ignorâcia.

    Esse é o mundo que a diretora Bier disseca em seu belo e perturbador filme que tem no bom roteiro seu mérito maior. Dirigido com sobriedade e eficiência, Em um Mundo Melhor ganhou o Globo de Ouro de Filme Estrangeiro (língua não inglesa), representando a Dinamarca.