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    ENDER'S GAME - O JOGO DO EXTERMINADOR

    Bom sci-fi não atinge verdadeiro potencial
    Por Daniel Reininger
    19/12/2013

    Baseado no best-seller de Orson Scott Card, Ender's Game - O Jogo Do Exterminador marca o retorno de Harrison Ford ao espaço pela primeira vez desde Star Wars: Episódio VI - O Retorno De Jedi. A adaptação inteligente é voltada para os jovens, que perceberão muitas semelhanças com Jogos Vorazes e Harry Potter, cujos filmes vieram primeiro, porém as obras literárias fazem uso de elementos introduzidos por Card mais de uma décadas antes.

    Sem o peso emocional do livro e incapaz de oferecer a sensação de ameaça iminente, tão necessária para justificar a urgência dos acontecimentos, a trama mostra o conflito entre a humanidade e a raça insectoíde Formics. Após a invasão malsucedida dos aliens, a humanidade decide que a melhor maneira de lutar contra o inimigo é treinar crianças para se tornarem comandantes, pois elas assimilam melhor dados complexos. Uma delas é Ender, gênio de 12 anos dividido entre a agressividade herdada de seu irmão e o amor pela vida de sua irmã.

    O início se assemelha muito a Harry Potter. O garoto é escolhido para ir à escola de combate, uma incrível estação espacial em órbita da Terra, quase tão fantástica quanto Hogwarts. A diferença é que neste longa o colégio não é somente um local para aprendizado, é também onde os cadetes passam a temer e a odiar o inimigo. A narrativa logo se torna a típica jornada do herói, com momentos de dúvida e glória. Entretanto, quando a realidade se apresenta diante de Ender, as coisas ficam sombrias e o final guarda uma reviravolta surpreendente.

    Como em Jogos Vorazes, jovens são manipulados por adultos (comandantes) inescrupulosos, como o coronel Hyrum Graff (Harrison Ford), cuja agenda é mais complicada do que ele deixa transparecer. Graff não vê os cadetes como crianças, mas sim como peões no jogo pelo futuro da humanidade. Suas discussões éticas com a Major Anderson (Viola Davis) – a voz da razão da escola – marcam alguns dos melhores momentos do filme.

    Gavin Hood (X-Men Origens: Wolverine), responsável pela direção e roteiro, pegou muito bem o espírito de jogos de guerra, entretanto, fez algumas mudanças cruciais e reduziu o impacto psicológico – uma das principais caracteristicas do livro. Ender deveria ser mais cruel, uma das razões por ter sido escolhido para o programa e o filme não deixa claro o impacto de como é viver metade de sua vida batalhando com outros jovens, afinal o longa se passa ao longo de um ano, e não seis.

    A produção supera o livro apenas na forma de mostrar como videogames são utilizados para o treinamento. Desde técnicas de combate, até avaliações psicológicas são feitas em simulações avançadas que são chamadas de jogos pelos próprios oficiais. A forma casual como decidem o sacrifício de colegas nessas "brincadeiras" causa desconforto, afinal os cadetes são treinados para se afastarem psicologicamente de seus atos. Qualquer relação com os drones utilizados em combates reais atualmente não é mera coincidência.

    Asa Butterfield (A Invenção De Hugo Cabret) entendeu a importância desse distanciamento e impressiona como Ender. O ator é ideal para o papel principal, pois não impõe respeito fisicamente e seu olhar possui intesidade e sugere pensamentos obscuros. O resto do elenco, entretanto, deixa a desejar. Os cadetes têm atuações simplórias e Jimmy Pinchak e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) não causam o impacto necessário como irmãos do protagonista. Nem mesmo Ben Kingsley (Homem De Ferro 3) consegue ser convincente como ex-herói de guerra.

    Conforme a trama caminha para o desfecho sombrio, a trilha sonora a acompanha, com ótimas composições instrumentais. O visual inspirado nos videogames é realista, com belas batalhas espaciais e cortes rápidos. O único problema técnico acontece durante uma sequência de animação que representa um jogo mental. O CG é simples e os personagens foram digitalizados de forma tosca, destoando do resto da produção.

    Embora Ender's Game - O Jogo do Exterminador seja mais intrigante do que a maioria dos blockbusters, essa boa ficção-científica nunca atinge seu verdadeiro potencial. Mesmo assim, é impossível sair do cinema sem refletir, talvez por horas, sobre as cenas finais, quando avaliamos as consequências das decisões tomadas ao longo da narrativa.