Pôster de Ender's Game -  O Jogo do Exterminador

ENDER'S GAME - O JOGO DO EXTERMINADOR

(Ender's Game)

2013 , 114 MIN.

10 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 20/12/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gavin Hood

    Equipe técnica

    Roteiro: Gavin Hood, Orson Scott Card

    Produção: Alex Kurtzman, Ed Ulbrich, Gigi Pritzker, Linda McDonough, Lynn Hendee, Orson Scott Card, Robert Chartoff, Roberto Orci

    Fotografia: Donald McAlpine

    Trilha Sonora: Steve Jablonsky

    Estúdio: Chartoff Productions, Digital Domain Media Group, Kurtzman Orci Paper Products, Odd Lot Entertainment, Summit Entertainment

    Montador: Lee Smith, Zach Staenberg

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Abigail Breslin, Andrea Powell, Aramis Knight, Asa Butterfield, Ben Kingsley, Brandon Soo Hoo, Chase Walker, Christopher Coakley, Edrick Browne, Gavin Hood, Hailee Steinfeld, Han Soto, Harrison Ford, Jimmy Pinchak, Joseph Angelette, Kyle Russell Clements, Moises Arias, Nonso Anozie, Suraj Partha, Tony Mirrcandani, Viola Davis

  • Crítica

    19/12/2013 19h22

    Por Daniel Reininger

    Baseado no best-seller de Orson Scott Card, Ender's Game - O Jogo Do Exterminador marca o retorno de Harrison Ford ao espaço pela primeira vez desde Star Wars: Episódio VI - O Retorno De Jedi. A adaptação inteligente é voltada para os jovens, que perceberão muitas semelhanças com Jogos Vorazes e Harry Potter, cujos filmes vieram primeiro, porém as obras literárias fazem uso de elementos introduzidos por Card mais de uma décadas antes.

    Sem o peso emocional do livro e incapaz de oferecer a sensação de ameaça iminente, tão necessária para justificar a urgência dos acontecimentos, a trama mostra o conflito entre a humanidade e a raça insectoíde Formics. Após a invasão malsucedida dos aliens, a humanidade decide que a melhor maneira de lutar contra o inimigo é treinar crianças para se tornarem comandantes, pois elas assimilam melhor dados complexos. Uma delas é Ender, gênio de 12 anos dividido entre a agressividade herdada de seu irmão e o amor pela vida de sua irmã.

    O início se assemelha muito a Harry Potter. O garoto é escolhido para ir à escola de combate, uma incrível estação espacial em órbita da Terra, quase tão fantástica quanto Hogwarts. A diferença é que neste longa o colégio não é somente um local para aprendizado, é também onde os cadetes passam a temer e a odiar o inimigo. A narrativa logo se torna a típica jornada do herói, com momentos de dúvida e glória. Entretanto, quando a realidade se apresenta diante de Ender, as coisas ficam sombrias e o final guarda uma reviravolta surpreendente.

    Como em Jogos Vorazes, jovens são manipulados por adultos (comandantes) inescrupulosos, como o coronel Hyrum Graff (Harrison Ford), cuja agenda é mais complicada do que ele deixa transparecer. Graff não vê os cadetes como crianças, mas sim como peões no jogo pelo futuro da humanidade. Suas discussões éticas com a Major Anderson (Viola Davis) – a voz da razão da escola – marcam alguns dos melhores momentos do filme.

    Gavin Hood (X-Men Origens: Wolverine), responsável pela direção e roteiro, pegou muito bem o espírito de jogos de guerra, entretanto, fez algumas mudanças cruciais e reduziu o impacto psicológico – uma das principais caracteristicas do livro. Ender deveria ser mais cruel, uma das razões por ter sido escolhido para o programa e o filme não deixa claro o impacto de como é viver metade de sua vida batalhando com outros jovens, afinal o longa se passa ao longo de um ano, e não seis.

    A produção supera o livro apenas na forma de mostrar como videogames são utilizados para o treinamento. Desde técnicas de combate, até avaliações psicológicas são feitas em simulações avançadas que são chamadas de jogos pelos próprios oficiais. A forma casual como decidem o sacrifício de colegas nessas "brincadeiras" causa desconforto, afinal os cadetes são treinados para se afastarem psicologicamente de seus atos. Qualquer relação com os drones utilizados em combates reais atualmente não é mera coincidência.

    Asa Butterfield (A Invenção De Hugo Cabret) entendeu a importância desse distanciamento e impressiona como Ender. O ator é ideal para o papel principal, pois não impõe respeito fisicamente e seu olhar possui intesidade e sugere pensamentos obscuros. O resto do elenco, entretanto, deixa a desejar. Os cadetes têm atuações simplórias e Jimmy Pinchak e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) não causam o impacto necessário como irmãos do protagonista. Nem mesmo Ben Kingsley (Homem De Ferro 3) consegue ser convincente como ex-herói de guerra.

    Conforme a trama caminha para o desfecho sombrio, a trilha sonora a acompanha, com ótimas composições instrumentais. O visual inspirado nos videogames é realista, com belas batalhas espaciais e cortes rápidos. O único problema técnico acontece durante uma sequência de animação que representa um jogo mental. O CG é simples e os personagens foram digitalizados de forma tosca, destoando do resto da produção.

    Embora Ender's Game - O Jogo do Exterminador seja mais intrigante do que a maioria dos blockbusters, essa boa ficção-científica nunca atinge seu verdadeiro potencial. Mesmo assim, é impossível sair do cinema sem refletir, talvez por horas, sobre as cenas finais, quando avaliamos as consequências das decisões tomadas ao longo da narrativa.



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