poster Enola Holmes

ENOLA HOLMES

(Enola Holmes)

2020 , 123 MIN.

12 anos

Gênero: Aventura

Estréia: 23/09/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Harry Bradbeer

    Equipe técnica

    Roteiro: Jack Thorne, Nancy Springer

    Produção: Alex Garcia, Ali Mendes, Mary Parent, Millie Bobby Brown, Paige Brown

    Fotografia: Giles Nuttgens

    Trilha Sonora: Daniel Pemberton

    Estúdio: EH Productions, Legendary Entertainment, PCMA Productions, Warner Bros.

    Montador: Adam Bosman

    Distribuidora: netflix

    Elenco

    Adeel Akhtar, Burn Gorman, Deonne Newby, Fiona Shaw, Frances de la Tour, Gianni Calchetti, Hattie Jackson, Heather Pearse, Helena Bonham Carter, Henry Cavill, Jay Simpson, Joakim Skarli, Louis Partridge, Margaret Wheldon, Millie Bobby Brown, Paul Parker, Sam Claflin, Sonya Seva, Susan Wokoma, Theo Ip

  • Crítica

    22/09/2020 09h39

    Por Daniel Reininger

    Enola Holmes não é revolução prometida pela Netflix, mas é o suficiente para dar ao serviço de streaming uma nova franquia a explorar. Essa leve história de detetive para adolescentes é encantadora, mas nunca chega a ser algo ousado, como muitos acreditavam. Ao menos, ver Henry Cavill como Sherlock e Millie Bobby Brown como sua irmã é um grande prazer, apesar da falta de profundidade da narrativa.

    Baseado no romance de Nancy Springer, a obra mostra a irmã mais nova e menos conhecida do grande detetive Sherlock (Cavill). Enquanto ele e seu astuto irmão Mycroft (Sam Claflin) estavam em Londres cuidando de suas vidas, Enola (Bobby Brown) foi criada como uma "criança selvagem" no interior da Inglaterra por sua mãe excêntrica (Helena Bonham Carter). Lá, ela aprendeu Shakespeare, filosofia, tênis, arco e flecha e jiu-jitsu. Tudo muda em seu décimo sexto aniversário, quando sua mãe desaparece.

    Seus irmãos então voltam para casa para lidar com Enola e com o estado da mansão, agora abandonada. Sherlock até se interessa em investigar a partida da mãe, mas sem urgência. Mycroft só se preocupa mesmo em resolver a vida de Enola, colocando-a em um internato a fim de transformá-la em uma mulher dócil, de fácil aceitação pela sociedade vitoriana inglesa e perfeita para casar com algum nobre, mas Enola não quer nada disso.

    Seguindo as pistas que sua mãe deixou para trás, ela foge para resolver o mistério. No entanto, a busca de Enola é prejudicada quando ela cruza com um jovem aristocrata (Louis Partridge) em fuga por razões misteriosas. Preocupada com injustiças, ela então muda seu objetivo e passa a ajudar o rapaz, no que se torna uma trama de origem que soa um pouco forçada só para colocar Enola no caminho de um momento histórico importante da Inglaterra.

    No melhor estilo Deadpool e Fleabag, cuja série o diretor dirigiu alguns episódios, Enola quebra a quarta parede e fala diretamente com o público. "Ela precisava do espectador nessa jornada e ela fala conosco com mais bravura do que realmente tem. Ela tem aquela arrogância obstinada de uma adolescente que tenta esconder o medo", justifica Millie Bobby Brown em entrevista ao USA Today, mas a verdade é que esse recurso incomoda mais do que ajuda, com momentos de pausa esquisitos, sem emoção e diálogos expositivos desnecessários.

    E a comparação com Fleabag acaba aí....e no diretor, claro. Enquanto a série segue uma anti-heroína carismática, imprudente e até egoísta, Enola é perfeita e não possui nada de complexo, embora a jornada para se tornar uma mulher seja também complicada. Ela é corajosa e rebelde de forma chocante para 1900, mas atualmente já são base para qualquer trama sobre empoderamento. Tudo que ela faz está dentro do esperado, provavelmente para não chocar e manter a leveza de uma aventura adolescente.

    As questões políticas do roteiro de Jack Thorne até falam sobre feminismo, mas de forma juvenil. O movimento sufragista está no pano de fundo de sua história, mas Enola só se interessa pelo empoderamento para conseguir o que quer. O longa não discute como a sociedade patriarcal limita suas opções e, para obter um mínimo do respeito de seus irmãos, ela precisa ser praticamente uma super-heroína. É como se o próprio filme não percebesse que poderia explorar melhor essas questões e trazer mensagens mais positivas.

    Ao menos, o longa traz Henry Cavill como uma versão nova e fascinante de Sherlock, sempre arrogante e charmoso. Ele e Brown tem boa química, o que ajuda o filme, sem falar que Sherlock é uma boa mudança em relação ao que o ator fez em DCEU e The Witcher, mas o detetive poderia aparecer mais na trama. Ainda assim, rumores indicam que ele pode ter mais espaço na sequência, o que seria realmente divertido de ver!

    Além disso, o longa acerta com o mistério, fugas ousadas, artes marciais e cenas de ação em geral. Nesses momentos, o filme empolga e Brown se sente mais à vontade para interpretar a heroína, até por se aproximar da narrativa de Stranger Things.

    Com o objetivo de pincelar o assunto do empoderamento e aproveitar o mito de Sherlock, Enola Holmes traz uma heroína adolescente inconformada com sua posição na sociedade, porém incapaz de discutir essa questão realmente. O longa possui bom ritmo e visual interessante e, para as crianças, provavelmente será uma boa aventura. Já para os pais, deve ser uma diversão leve e relaxante. Ainda assim, é uma pena que o longa não arriscou fazer algo realmente inovador com essa personagem, o potencial era gigantesco.



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