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    ENQUANTO SOMOS JOVENS

    Adorado por indies, Noah Baubach critica seu público alvo
    Por Edu Fernandes
    18/06/2015

    Alguns diretores não são extremamente famosos, mas conseguem cativar um nicho de espectadores. É o caso de Noah Baumbach (A Lula E A Baleia) com o público indie. O curioso é que em seu filme mais recente o cineasta faz críticas exatamente ao seu público cativo.

    Enquanto Somos Jovens acompanha os quarentões Josh (Ben Stiller, de Uma Noite No Museu 3 - O Segredo Da Tumba) e Cornelia (Naomi Watts, de A Série Divergente: Insurgente), cansados de sua rotina e com a sensação de não conseguir se relacionar totalmente com os amigos de sua própria faixa etária. O casal tentou engravidar algumas vezes sem sucesso e agora encontra dificuldades em conversar com outros pares, que adoram dividir suas experiências paternais.

    O alívio aparece na forma de Jamie (Adam Driver, de Será Que?) e Darby (Amanda Seyfried, de Um Milhão De Maneiras De Pegar Na Pistola), que esbanjam a espontaneidade de seus vinte e poucos anos. Jamie se aproxima de Josh por admirar seu documentário, apesar de ele atualmente estar envolvido em um projeto inacabado por mais de oito anos. Já Cornelia não se sente muito a vontade com os novos amigos a princípio, mas depois se deixa levar.

    Os novos ares fazem bem à dupla de protagonistas. Seu relacionamento ganha novas cores, mas eles se afastam ainda mais dos antigos amigos. Josh e Cornelia têm novas experiências que incluem rituais alucinógenos, mas de vez em quando sentem o peso da idade – eis algumas das fontes de humor do filme.

    Como em Frances Ha (2012), Noah usa o meio artístico para denunciar o jogo de aparências da sociedade contemporânea – com direito a mais uma boa seleção musical para a trilha. A busca cega pelo sucesso e os limites da ética na expressão cultural são os pontos de discussão levantados pelo filme.

    A figura de Jamie é carregada de mistério, o que deixa o espectador com um pé atrás, sem saber exatamente o que o cineasta hipster quer com sua amizade com Josh. No final, o que começou como uma crise da meia idade e um choque de gerações transforma-se em uma forte crítica da forma como flexibilizamos o conceito de Verdade atualmente. Com um discurso seguro, Baumbach entrega reflexões profundas e pertinentes. Quem espera a leveza e graça de seu filme anterior levará um baque com Enquanto Somos Jovens.

    A principal questão que fica é como o público hipster vai receber o filme. A acidez com a qual o representante da tribo é retratado é evidente, mas a reação é um enigma. Talvez o indie prepotente não consiga se ver no espelho da tela e acabe curtindo o longa. Talvez a identificação aconteça, mas admiti-la será fraquejar. Filmes relacionados: