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    ENTRANDO NUMA FRIA MAIOR AINDA COM A FAMÍLIA

    Irregular, continuação vale apenas pela parceria de Robert De Niro e Harvey Keitel<br />
    Por Celso Sabadin
    11/01/2011

    Quem trabalha na área já sabe: quando a própria distribuidora opta por não exibir antecipadamente um filme para a imprensa, isso é sinal que o tal filme não tem qualidades. Afinal, ninguém esconde coisa boa. Assim, quando a Paramount anunciou o lançamento no Brasil de Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família sem sessões prévias para os jornalistas, o mercado entendeu o recado: provavelmente, seria uma bomba.

    O problema, porém, é que a Paramount, quando se trata de cinema, está longe de ser uma distribuidora perspicaz. E o filme não é tão ruim assim. Ou, pelo menos, não é tão ruim quanto a sua própria distribuidora julgou ser, a ponto de escondê-lo da imprensa.

    Ele tem bons e maus momentos. É irregular, oscilante. É hilariante, por exemplo, quando Greg (Ben Stiller) se assume como o novo chefão da família Fornika (ou Focker, no original), e passa a agir como o Don Corelone do clássico de Coppola. É muito boa também a sátira/crítica feita às escolas que querem transformar qualquer criança num super gênio competitivo para o mercado de trabalho.

    Mas há também momentos do mais chulo humor que fazem questão de ofender o bom gosto do público, como uma ereção explícita de Jack (Robert De Niro) e uma cena onde um paciente é submetido a uma sonda anal. Ânus, pênis, ereções, sexo, vômitos... sempre os velhos tabus que a sociedade americana não consegue superar, e tenta exorcizá-los num humor de gosto mais do que duvidoso, buscando o riso através do nervosismo. Doentio, mas eficaz: o filme já faturou mais de US$ 120 milhões somente no mercado americano, apenas em suas três primeiras semanas de exibição.

    O maior problema de Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família é o seu sabor de piada esticada, de humor requentado. O primeiro episódio, explorando o eterno conflito entre sogro e genro, foi um sucesso. O segundo já não tinha muito mais a dizer, e foi turbinado com novos personagens. E este terceiro perde ainda mais o fôlego.

    Fica visível na tela, por exemplo, o fato de Dustin Hoffmann ter aceitado fazer o filme somente quando tudo já havia começado: seu personagem entra claramente forçado dentro da trama, sem função. A participação de Barbra Streisand também soa gratuita, da mesma forma que o roteiro parece ter sido jogado fora no meio de todo o processo.

    Restam momentos divertidos esparsos, uma piada boa aqui e outra ali. Não é um grande filme, nem a bomba que a Paramount preconizou. Para os cinéfilos de carteriniha, vale rever, juntos, Robert De Niro e Harvey Keitel, a grande dupla dos clássicos Caminhos Perigosos e Taxi Driver, de um época em que De Niro não precisava exibir ereções na tela do cinema.