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    ENTRE ABELHAS

    Filme traz Fábio Porchat no papel mais introspectivo da carreira
    Por Iara Vasconcelos
    29/04/2015

    O cinema nacional atual tem se reerguido – pelo menos em termos de bilheteria – graças às comédias "pastelão", lançadas em ritmo de produção industrial e arrastando consigo um time de humoristas populares. Um dos nomes desse novo cenário é Fábio Porchat, carioca que abandonou a faculdade de administração para se dedicar a carreira de ator e Stand Up. 

    A princípio Entre Abelhas não foge à essa regra. O primeiro longa metragem de Ian Sbf, responsável por diversos episódios do Porta dos Fundos, conta com figurinhas carimbadas do canal como Luis Lobianco e Leticia Lima - que anunciou recentemente sua saída do grupo.

    Mas não se engane, o que você vai encontrar aqui não é uma comédia escrachada, com o forte apelo de Stand Up que tanto vem agradando aos brasileiros. A dramédia traz questionamentos existenciais e um Porchat em seu trabalho mais introspectivos no cinema. 

    Na trama, Bruno é um editor de vídeos recém-separado da mulher que começa a sofrer de um mal que o impede de enxergar algumas pessoas. O problema é que a cada dia ele passa a ver menos pessoas. Com a ajuda da mãe, interpretada com frescor pela ótima Irene Ravache, de seu melhor amigo, vivido por Marcos Veras, e do psiquiatra, ele tenta encontrar uma maneira de solucionar esse dilema. 

    O filme não é totalmente desprovido de comédia - aliás, o personagem de Veras é tão clichê que parece o mesmo de, pelo menos, uns cinco outros filmes nacionais – as piadas ainda estão lá, só não tem a cara de um esquete do Porta dos Fundos. Isso acontece porque Ian quis trazer um outro lado desses atores à tona e, para isso, fez questão de inserir na vida de seus personagens questões mais sérias e pesadas como o fim de um relacionamento, traição, solidão e morte. O protagonista Bruno, por exemplo, é constantemente atormentado pela noção de que é um fracasso ambulante e o culpado pelo fim de seu casamento.

    A alegoria utilizada na trama também vai de encontro com um questionamento bastante recorrente na atualidade. As pessoas estão vivendo cada vez mais para si, alheias à multidão ao seu redor, o que seria um plausível de comparação ao desaparecimento dos indivíduos aos olhos de Bruno.

    Outro fato bastante positivo é que a produção foi filmada no Rio de Janeiro, mas em momento algum isso aparece de maneira óbvia. Os takes da orla de Copacabana, do Cristo ou do Pão de Açúcar foram substituídos por um cenário mais cinza, cercado pelo concreto, o que indica o desejo de deixar a história mais universal. A cidade Maravilhosa poderia facilmente ser trocada por São Paulo, Nova York ou qualquer outra grande metrópole mundo a fora.

    Entre Abelhas é um filme bem trabalhado, seu ritmo pode não prender com facilidade o espectador, mas com certeza não o dispersa. Não chega a ser uma produção extraordinária, mas é bem bacana ver como tanto atores quanto elenco buscaram sair de sua zona de conforto e fugir da receita pré-pronta para garantir uns milhõezinhos em bilheteria.