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    ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD

    Por Daniel Reininger
    12/08/2019

    Em seu mais novo filme, Quentin Tarantino reúne um fascinante elenco para homenagear o passado de Hollywood. Apesar de manter seu estilo de direção, repleto de humor negro, momentos de violência explosiva e ótima trilha sonora, Era Uma Vez Em... Hollywood mostra um lado mais sentimental do cineasta. Esse é um de seus trabalhos mais fracos, com um estilo muito mais próximo de Woody Allen do que próprio, mas ainda assim vale o ingresso, especialmente para quem é fascinado pelo passado do cinema.

    Carta de amor a Los Angeles do final dos anos 60, o filme não traz o mesmo ar descolado de outrora do diretor com seu ritmo lento e roteiro contemplativo. A nostalgia toma conta e é fácil esquecer que estamos vendo um filme do Tarantino. Mesmo quando a violência come solta, parece mais uma obrigação a cumprir com os fãs do que uma vontade real do diretor incluir esses momentos em sua obra, que são totalmente desnecessários, diga-se de passagem.

    A trama acompanha o ator Rick Dalton e seu melhor amigo, o ex-dublê e faz tudo, Cliff Booth. Rick vive um momento de desespero e decadência e Leonardo Dicaprio faz um trabalho incrível para mostrar o desespero de se tornar obsoleto em Hollywood. Enquanto Brad Pitt encarna de forma perfeita o interessante Cliff, cuja beleza esconde a tristeza de uma vida sem sentido, cujo únicos momentos de prazer são a presença de seu cão e de seu amigo. Ele é quase zen, mas é também violento e a química da dupla é simplesmente memorável.

    A atriz Sharon Tate é outro foco importante da trama. Estrela em ascensão, a atriz foi real e sua curta carreira foi ofuscada pela morte brutal, durante a gravidez, por seguidores do líder do culto Charles Manson. Margot Robbie interpreta com leveza a vizinha de espírito livre de Rick. Só que a personagem não é bem desenvolvida e possui menos espaço do que os outros protaginistas. Tarantino parece não querer explorar quem era Sharon Tate deliberadamente, pelo bem da atmosfera de nostalgia.

    As desventuras de Rick e Cliff são curiosas de acompanhar, mas é difícil se conectar com eles. E Sharon Tate aparece muito pouco para realmente segurar o longa. No final, parece que o cineasta apenas queria mostrar como Hollywood funcionava e ainda funciona. Só que falta diversão, falta emoção, falta empatia com os personagens e a longa duração do filme, com grandes momentos de contemplação, só fazem da obra algo cansativo e capaz de se comunicar apenas com quem viveu essa realidade ou acompanhou, de perto, produções da época.

    Outro problema é a forma como o diretor lida com os assassinatos da família Manson, grupo que cometeu vários crimes nos Estados Unidos no fim dos anos 1960. Não podemos falar do assunto a pedido da Sony, mas é óbvio que esse momento vai dividir muitas opiniões. No meu caso, não gostei e acho as sequências finais entediantes e sem propósito, apesar de darem um pouco de vida à monótona segunda parte da narrativa.

    É justo dizer que Tarantino criou mais um bom filme. Mesmo muito diferente de suas obras anteriores, ainda é possível reconhecer elementos comuns ao cineasta. É claro que o longa possui ótimos momentos, é óbvia a atenção aos detalhes, o cuidado com a trilha sonora e, o mais importante, possui atuações inspiradas, mas a narrativa nunca empolga realmente e o quanto mais esperamos pelo final, ainda mais depois de 3 horas de contemplação, mais decepcionante as coisas ficam.

    Com o tempo, parece que o diretor tem se importado menos em fazer bons filmes e mais em colocar todos os elementos que o agradam na tela, custe o que custar. E, aos poucos, essa decisão tem deixado as obras do diretor cada vez menos interessantes.