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    ESCOLA DE ROCK

    Por Roberto Guerra
    13/02/2004

    O rock-n'-roll não é mais o mesmo. Toda aquela rebeldia, transgressão, busca de auto-afirmação e liberdade se esvaiu ao longo das décadas, virou marketing. O rock de hoje, mercantilizado, vende música, produtos diversos e estilo a jovens alienados que nada contestam.

    Aquele saudoso diletantismo perdido no passado é o que faz de Escola de Rock, com estréia na sexta-feira 13 em todo o País, um excelente programa. O filme, dirigido por Richard Linklater (de Walking Life), conta história de Dewey Finn (Jack Black, de Alta Fidelidade e O Amor é Cego), um guitarrista à moda antiga que é expulso de seu grupo, o No Vacancy, por não corresponder ao novo perfil da banda, interessada em adotar um estilo pop- romântico na intenção de vencer "A Batalha das Bandas", um concurso de novos talentos.

    Além de não ter mais onde exibir seus performáticos solos de guitarra, Dewey se vê às voltas com Patty (Sarah Silverman), a "mala" da namorada de seu amigo Ned Schneebly (Mike White, também autor do roteiro), um ex-roqueiro que largou a música para se tornar professor e com quem divide um apartamento. O problema é que a moça considera Dewey um parasita e pede a Ned que lhe dê um ultimato: ou paga os aluguéis atrasados ou dá o fora do apartamento.

    Sem saída, Dewey resolve faturar uma grana se passando pelo amigo Ned e aceita um convite para ser professor substituto de uma renomada e conservadora escola. O problema é que ele não tem nada a ensinar às crianças a não ser... rock-n'-roll.

    Resolve, então, formar uma banda com os alunos da turma e se inscrever no tal concurso de novos talentos. Os que não têm aptidão musical assumem outras funções, como produtor, figurinista e segurança, já que precisam driblar a fiscalização da taciturna e disciplinada diretora Mullins (Joan Cusack).

    Mas além de rock-n'-roll, Dewey passa para as crianças, acostumadas à rígida disciplina da escola, toda a rebeldia e espírito de contestação contidos no gênero musical. Daí em diante, a vida dessas crianças e do professor roqueiro não será mais a mesma.

    Escola de Rock é do tipo de filme que deixa o espectador enlevado. As tiradas espirituosas e humor inteligente permeiam a fita e criam empatia rápida com o espectador. Jack Black está impagável na pele do roqueiro Dewey, um tipo histriônico e cheio de maneirismos que provoca o riso fácil. Ele, por sinal, se sentiu em casa interpretando o personagem: Antes de seguir a carreira de ator, Jack já era guitarrista e vocalista da obscura banda de rock independente Tenacious D.

    Vale destacar também o bom elenco infantil e, claro, os clássicos do rock que formam a trilha sonora. Diversão de qualidade para todas as idades.