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    ESPELHO, ESPELHO MEU

    Apesar de Lily Collins ser adequada à personagem, filme é adaptação infeliz de conto de fadas
    Por Roberto Guerra
    05/04/2012

    Um deleite ver Lily Collins (Sem Saída) caracterizada de Branca de Neve na tela. Linda, dona de um rosto de traços finos, pele de porcelana e sobrancelhas escuras, a atriz tem um encantamento semelhante ao de Audrey Hepburn. Como a protagonista de A Princesa e o Plebeu, Collins também carrega uma beleza feminina delicada mesclada a trejeitos de menina. Uma pena, no entanto, que Espelho, Espelho Meu seja uma atualização brega e infeliz do famoso conto de fadas.

    Começa com uma sequência animada que mostra o nascimento de Branca de Neve, seus primeiros anos de vida e o que aconteceu com seu pai, o Rei. Tudo narrado num tom pretensamente engraçado pela Rainha Má, personagem de Julia Roberts. Feita a abertura, somos levados ao presente da jovem, já com 18 anos, enclausurada no castelo de seu pai e sob a batuta da vaidosa e tresloucada rainha, uma personagem que era para ser má e fazer rir, mas evidencia-se apenas chata ao longo de todo o filme.

    A ambientação é a pior possível. Cenografia simplória, fotografia lavada para evidenciar a cor forte de determinadas peças do figurino e, este, sofrível. Os personagens parecem estar usando roupas feitas a partir de cortinas, forros de sofá ou papel de parede. Uma lástima estética. Estou até agora me perguntando por que a Branca de Neve aparece com um vestido de cisne semelhante ao da Björk numa cena de baile à fantasia. Por quê?!

    Um dia, numa saída furtiva do castelo, Branca de Neve encontra o belo príncipe Alcott (Armie Hammer, de A Rede Social). Sem camisa, sem calças e pendurado de cabeça para baixo numa árvore ao lado de seu escudeiro. Ele foi assaltado por um bando de salteadores anões que usam pernas de pau para parecerem grandes. Sim, eles são a versão atualizada dos sete anões, que num momento adiante tomarão contato com a Branca de Neve.

    O encontro acontece quando a rainha Má descobre que o príncipe só tem olhos para a bela Branca de Neve. Ela quer se casar com o nobre para salvar as finanças do reino e ordena a seu servo puxa-saco Brighton (o bom Natan Lane, que aqui não pode fazer muito) que dê cabo da jovem rival. Branca de Neve foge para a floresta e, junto aos anões bandoleiros, deixa de ser Branca de Neve e se transforma em Robin Hood, roubando o dinheiro do reino e distribuindo para os pobres famintos. Mais uma vez me pergunto, por quê?!

    E esse momentos “por quê” se repetem ao longo de todo o filme, como na cena em que o príncipe Alcott, sob o efeito de uma poção, incorpora um cachorro subserviente, ou quando a Rainha Má passa por um tratamento de beleza exótico que inclui ser besuntada com cocô de passarinho e tomar picadas de abelha nos lábios. A ideia era parecer engraçado, mas passa longe disso.

    Espelho, Espelho Meu é o primeiro de dois filmes sobre Branca de Neve que serão lançados em 2012. Em junho chega às telas Branca de Neve e o Caçador, que tem Kristen Stweart, a Bela da saga Crepúsculo no papel principal. É esperar pra ver se as coisas melhoram.