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    ESPOSA DE MENTIRINHA

    Química entre protagonistas é apagada por roteiro fraco e piadas sem graça<br />
    Por Roberto Guerra
    21/02/2011

    O dicionário Houaiss define assim a palavra “entusiasmo”: exaltação da alma, alegria, júbilo, admiração, arrebatamento. Pois é esse estado de espírito que o espectador vai perdendo ao longo da projeção de Esposa de Mentirinha, comédia romântica estrelada por Adam Sandler e Jennifer Aniston e dirigida por Dennis Dugan, parceiro de Sandler em outras empreitadas como Eu os Declaro Marido e... Larry, O Paizão e Zohan - O Agente Bom de Corte.

    O roteiro é uma adaptação malfeita do script original de Flor de Cacto, de I.A.L. Diamond, roteirista falecido em 1988 e autor de comédias de sucesso como Quanto Mais Quente Melhor e Se Meu Apartamento Falasse.

    Não há comparações no caso. Esposa de Mentirinha é tão diferente de Flor de Cacto na essência e na superfície que citar Diamond nos créditos soa desnecessário.

    O mote da trama é simples: homem (Sandler) começa a namorar jovem (a belíssima modelo Brooklyn Decker) que, graças a um equivoco, passa a acreditar que ele seja casado. Para desfazer o mal-entendido ele pede à sua leal assistente (Jennifer Aniston) que finja ser a esposa de quem está se divorciando.

    O que segue é previsível, mas a previsibilidade nesse tipo de filme não chega a ser um problema. O calcanhar de Aquiles da produção é a total inépcia dos roteiristas em explorar com inteligência as inúmeras possibilidades cômicas. Junta-se o roteiro de gags pouco ou nada engraçadas com a direção estilo “elefante em loja de cristais” de Dugan e o resultado é sofrível.

    Adam Sandler e Jennifer Aniston não têm culpa no cartório. Ele funciona bem neste tipo de papel - vide Como se Fosse a Primeira Vez - e Aniston, apesar de passar o filme no piloto-automático, não compromete. Há química entre os dois e o entusiasmo do espectador mais atento vai se esvaindo quando percebe que é tudo em torno deles que não funciona direito.

    As supostas piadas mesclam o tradicional quando a falta de criatividade grassa: referências (bobas) a outros filmes, gozação com músicos ou bandas decadentes, humor vulgar e, como não podia faltar, escatologia. Sem ideia para fazer rir? Cocô e pum, eis a solução.

    O filme tem ainda participação especial de Nicole Kidman, que faz a amiga bem-sucedida e esnobe da personagem de Aniston. Mais uma vez surge campo para situações hilárias, mais uma vez elas são jogadas na lata do lixo. A personagem de Nicole não tem nada de interessante a dizer ou fazer. Nem ela, nem ninguém. Quando sobem os créditos, o que era entusiasmo virou frustração.