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    'Eternos' brilha quando foca na profundidade de seus personagens

    Novo filme da Marvel traz um novo olhar aos super-heróis, mas se perde em sua grandiosidade
    Por Daniel Reininger
    03/11/2021 - Atualizado há cerca de 1 mês

    Eternos é um espetáculo visual que leva a Marvel a uma nova direção, algo bastante positivo. Embora tenha o time mais humano dos cinemas, esse é um filme tão intimista quanto um de super-heróis consegue ser, mas também é gigantesco em sua escala, por isso se perde. Ambicioso, seu foco é servir como um estudo de personagens imortais e cheios de defeitos, o que seria algo ótimo, se não tentasse, em paralelo, ser um filme padrão de super-heróis.

    Sob a ótica de um filme de drama, Eternos tem muitos pontos positivos. A começar pela representatividade, especialmente com personagens tão bem construídos e com muitas camadas. O longa se destaca também ao tratar de questões como luto, amor, doenças mentais e ainda traz uma reflexão da própria humanidade ao longo dos milénios.

    São questões que fazem de Eternos algo realmente único, porém, a produção se perde quando parece lembrar que precisa ser um filme de super-heróis, tanto que sua trama é absurdamente rasa para garantir cenas de ação obrigatórias: Um supergrupo veio à Terra com a missão de proteger os humanos dos Deviantes, mas agora precisa se reunir novamente a fim de impedir o fim do mundo, que acontecerá em 7 dias. Vamos ser sinceros, essa premissa já deu. 

    Gemma Chan como Sersi em cena de EternosReprodução

    A trama rasa é um desperdício, já que Eternos se estende através de séculos de história. A diretora Chloé Zhao (Nomadland) usa bem os flashbacks para mostrar o passado de seus personagens. A profundidade de cada um dos protagonistas é combinada com as paisagens e arrebatadoras, duas questões pelas quais Zhao é bem conhecida e trabalha brilhantemente novamente aqui.

    O melhor de Eternos está exatamente nas atuações e relações entre os personagens. Seus conflitos e conexão com a raça humana tornam o longa relevante, mas quando o assunto se torna a salvação do planeta, simplesmente não há tempo suficiente para conduzir a narrativa com cuidado, muito menos criar tensão suficiente ou fazer o público se importar com a destruição iminente da Terra. 

    O longa foca em Sersi (Gemma Chan), Sprite (Lia McHugh) e Ikaris (Richard Madden), com os outros sete Eternos deixados um pouco de lado. É muito importante frisar que esse é o elenco mais diversificado da história do Marvel Studios e isso é grandioso por si só. Um dos aspectos mais divertidos do filme é que qualquer um dos dez protagonistas poderia ser o preferido do público, seja Thena (Angelina Jolie), Gilgamesh (Ma Dong-seok) Kingo (Kumail Nanjiani) ou qualquer outro, afinal, são personagens realmente únicos e fáceis de nos relacionarmos.

    E Zhao se mostra mais do que capaz de lidar com o desafio de apresentar todos eles de forma única e aprofundada.

    Don Lee como Gilgamesh em cena de EternosReprodução

    Tanto que as falhas do filme não são culpa da diretora. É quase impossível apresentar esses personagens de uma forma cuidadosa e ainda garantir a ação de uma trama épica com grandes riscos em um filme de duas horas e meia. 

    O longa precisava ter escolhido um caminho: Diminuir a escala e focar na humanidade desses seres ou tratar do fim do mundo, ao custo do desenvolvimento dos personagens. A situação é tão complicada, que até as cenas de ação parecem desnecessárias e feitas na correria. Não há emoção, apenas lutas obrigatórias inseridas por se tratar de um filme de super-heróis. 

    Apesar de tudo, Eternos é grandioso. Séculos de histórias humana e uma equipe inteira de heróis muito diferentes apresentados com cuidado narrativo, boas atuações e deslumbre visual. 

    As relações desses personagens são os verdadeiros motivos para ir ao cinema, enquanto a história deixa a desejar. Eternos, como foi concebido, se beneficiaria muito de ter menos ação e se manter focado nos personagens, fugindo do final exagerado e totalmente dissonante que apresenta. A diretora Chloé Zhao tem todos os méritos por criar uma das obras mais profundas do MCU, mas é inegável que seu filme não é para todos.  

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