cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    EU, ANNA

    Filme tenta manter clima de suspense de forma artificial
    Por Roberto Guerra
    08/09/2013

    Este longa de estreia do inglês Barnaby Southcombe flerta com elementos do cinema noir ao contar a história do inspetor de polícia Bernie Reid (Gabriel Byrne) e sua relação com a misteriosa Anna (Charlotte Rampling), que dá título ao filme. Suas vidas amarguradas se cruzam quando Reid atende a um chamado de assassinato na madrugada e, deixando a cena do crime, encontra Anna na saída do edifício onde ocorreu a morte.

    O longa foge da narrativa linear e propõe muitas idas e vindas ao espectador para fechar a trama. Vai-e-volta que passa um pouco da medida a certa altura, mesmo porque o público descobre no meio do filme o que de fato aconteceu.

    O roteiro, também de autoria de Southcombe, entrega o jogo rápido demais, mas segue adiante tentando manter um clima de tensão e suspense que não se sustenta, pois não há mais segredos a serem revelados nem mesmo grandes dúvidas sobre a conduta de Bernie, dividido entre seu interesse por Anna e o trabalho policial.

    Por conta disso, em dado momento, Eu, Anna parece estar "enchendo linguiça", se arrastando demais para terminar. Essa percepção só não se transmuta em irritação graças às boas atuações de Byrne e Rampling. Com destaque para ela, que consegue brilhar num filme pouco iluminado – e não estou me referindo à fotografia de luz rebaixada característica dos filmes noir.

    Alguns artificialismos do roteiro só são percebidos com o andar da carruagem. Há, por exemplo, uma subtrama supérflua sobre o filho da vítima, que, envolvido com bandidos, aparece como principal suspeito na tentativa de se criar dúvida quanto ao verdadeiro culpado pelo assassinato. Para piorar, a própria investigação de Bernie não se mostra instigante e termina por ser tediosa.

    É inegável que o diretor se esforçou na tentativa de segurar o suspense e uma atmosfera opressiva, mas a verdade é que, a despeito das boas atuações de Rampling e Byrne, estes parecem desperdiçados num filme que não é efetivamente emocionante nem particularmente instigante. Vale tão somente por vermos o que podem fazer grandes atores mesmo em terreno infértil.