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    EU E MEU GUARDA-CHUVA

    Vale a pena conferir o filme infantil imperdível, com belíssimas filmagens no exterior.<br />
    Por Celso Sabadin
    05/10/2010

    Há muito tempo que se fala sobre a importância do cinema brasileiro produzir filmes para crianças, jovens e pré-adolescentes. Há muito tempo que se fala... e muito pouco é feito. Os recentes Antes que o Mundo Acabe, Os Famosos e os Duendes da Morte e As Melhores Coisas do Mundo, todos ótimos, são muito mais filmes sobre adolescentes que propriamente para eles.

    Assim, é muito bem-vinda a iniciativa de levar para o cinema o livro juvenil Eu e Meu Guarda-Chuva, que Branco Mello (da banda Titãs), Hugo Possolo (um dos criadores do grupo Parlapatões) e Ciro Pessoa (também da primeira formação dos titãs) lançaram em 2001. Na verdade, a obra já nasceu com trejeitos cinematográficos, já que o livro acompanha um CD no estilo “ópera rock infantil”, e logo em 2002 foi transformado em espetáculo teatral, com Andrea Beltrão e Marieta Severo. Chegar às telas era uma questão de tempo. Mas o melhor de tudo é que o filme ficou fantástico!

    Produzido pela Conspiração Filmes (a mesma de 2 Filhos de Francisco) e pela Moonshot, o filme se centraliza na última noite de férias dos amigos Eugênio (Lucas Cotrim), Frida (Rafaela Victor) e Cebola (Victor Froiman). Como uma espécie de “última molecagem das férias”, eles resolvem invadir o colégio onde irão estudar, nem eles mesmos sabem exatamente porque ou para que. O que vale é a transgressão. Porém, lá chegando, os amigos acabam encontrando o fantasma do Barão Von Staffen (Daniel Dantas), o terrível e implacável fundador do colégio. É entre os muros da escola de Von Staffen que tem início uma noite de assustadoras e fantásticas aventuras, já que a tal escola se revela um portal para outras dimensões mágicas, com direito a viagens inesquecíveis.

    É inevitável comparar esta história de três amigos - uma garota e dois garotos - às voltas com um colégio sombrio com a série Harry Potter. Mas as semelhanças param por aí. O roteiro escrito a oito mãos por Adriana Falcão, Bernardo Guilherme, Marcelo Gonçalves e pelo diretor do filme Toni Vanzolini não procura se embrenhar por caminhos mais perturbadores e/ou existencialistas, como acontece na franquia do bruxinho inglês. Em Eu e Meu Guarda Chuva, é nítida a proposta de realizar uma deliciosa aventura de ação (com direito a toques românticos), onde o maior compromisso é apenas com a diversão. E, neste sentido, a proposta é cumprida com louvor!

    Da primeira à última cena, o filme é extremamente caprichado tanto em seu visual gótico, como em seu ritmo de aventuras e no seu clima de sonhos mágicos.
    A criativa direção de arte de Frederico Pinto mistura estilos e deliberadamente confunde tempos e espaços. Num primeiro momento, o apartamento (e a mãe) de Eugênio sugere os anos 50, mas logo a presença de telefones celulares derruba o conceito. Da mesma forma que as silhuetas da capital paulista também são colocadas em contraponto ao forte sotaque carioca do protagonista. Passa-se do bairro de Higienópolis para a Estação da Luz num simples atravessar de rua, ou, em outras palavras, o filme se passa em qualquer lugar e em qualquer tempo. Como em toda boa fantasia que se preze. Completa o visual a belíssima fotografia de Paulo Vainer, lúgubre e misteriosa, colaborando decisivamente para a criação do clima de medo e mistério.

    A elaborada produção, que inclui filmagens na belíssima cidade de Praga, e a habilidade das cenas de perseguição no fazem lembrar daquela – cruel – frase que os mais céticos diziam antigamente: “É tão bom que nem parece filme brasileiro”.

    Eu e Meu Guarda Chuva marca a estreia na direção cinematográfica de Toni Vanzolini, vindo da publicidade e da TV, onde dirigiu um dos episódios da série Mandrake. Foi diretor de arte em Eu Tu Eles, O Homem do Ano e Brincando nos Campos do Senhor, entre outros.

    Além dos “titãs” Branco Mello e Ciro Pessoa assinarem o livro original, Mello também compôs a trilha do filme, em parceria com o também ex-titã Emerson Villani. Com tantos integrantes e ex-integrantes da banda na ficha técnica, não se estranha nem um pouco a participação especial como ator de Arnaldo Antunes, fazendo um divertido burocrata.

    Imperdível.