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    EU NÃO FAÇO A MENOR IDEIA DO QUE EU TÔ FAZENDO COM A MINHA VIDA

    Diálogos longos que não funcionam
    Por Paulo Cintra
    15/12/2013

    I Wanna Be Cult. Esta é a mensagem que a nova produção assinada pelo jovem talento Matheus Souza passou para mim e para parte do público presente à sua primeira sessão na Mostra de São Paulo. Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo com a Minha Vida é o segundo longa do diretor e um grande retrocesso em relação ao seu último trabalho: Apenas o Fim, de 2008.

    Apesar de ter sido rodado com apenas 20 mil reais e contar com a participação gratuita de diversos atores, o principal problema do filme é outro: o roteiro. Retrato da geração na qual o cineasta e este que vos escreve também faz parte, o enredo traz muita informação, em tão pouco tempo, que você fica anestesiado e não consegue acreditar no argumento principal da trama. Na verdade o que temos aqui é mais um amontoado de ideias do que uma história propriamente dita.

    Atores globais entram e saem de cena a todo o momento, todos conhecidos do grande público: Leandro Hassum, Daniel Filho, Kiko Mascarenhas e muitos outros. A cena protagonizada por Hassum é uma verdadeira vergonha alheia. Você tem vontade de correr para fora da sala de cinema o mais rápido possível, após o ator tentar “terminar o relacionamento” com a sua mãe.

    Outro problema são as diversas piadas envolvendo a Rede Globo, que apesar de algum teor crítico, soam como um quadro do Vídeo Show, aquela brincadeira leve, programada e que, no fundo, serve para enaltecer a emissora de televisão.

    A protagonista Clarice Falcão alterna altos e baixos, mas tem um resultado final satisfatório. Já o seu par quase romântico, Rodrigo Pandolfo, tenta viver sem sucesso um adolescente da classe média carioca. O resultado dos dois é um casal assexuado que conseguiria facilmente um papel na novela teen Malhação. Um relacionamento chatíssimo, digno de um romance à la Crepúsculo.

    Em uma cena, Clara, personagem de Clarice Falcão, diz que “acha muito difícil ser blasé” e por isso havia desistido de seguir o gênero. No entanto, é exatamente isso que a produção de Matheus Souza é: Blasé. A trilha sonora que começa com Mallu Magalhães e termina com o ex-Los Hermanos, Marcelo Camelo, reforça este pensamento. Aliás, Mallu seria a protagonista perfeita para o longa já que, com toda a sua introspecção, o papel principal cairia como uma luva para ela.

    É claro que existem bons momentos, principalmente em piadas envolvendo o tema cinema; porém, os erros se sobressaem em quantidade e importância. Existe um discurso - presente a todo momento - para fortalecer a visão romântica de que todo adolescente pode ser irresponsável. Isso soa de maneira tão irritante que faz você desistir de vez do filme.

    Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo com a Minha Vida
    aposta em diálogos longos, característicos do jovem diretor, mas que não funcionam com este elenco, exceção para Daniel Filho e Gregorio Duvivier. O resultado final é algo tão nichado que só deve agradar jovens que vivem de mesada dos pais e frequentam a Vila Madelena, em São Paulo, ou a Lapa e a PUC carioca.