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    EU SOU A LENDA

    Por Angélica Bito
    18/01/2008

    A adaptação do livro homônimo de Richard Matheson é estrelada por Will Smith (indicado ao último Oscar por À Procura da Felicidade) e dirigida por Fracis Lawrence em sua segunda incursão no cinema - a primeira foi em 2003, em Constanbtine. Trabalhando novamente com muitos efeitos especiais, numa produção mais grandiosa ainda, Lawrence prova ser capaz de impressionar o espectador ao injetar certa realidade a situações fantasiosas.

    Se depender do faturamento nos cinemas norte-americanos, onde estreou há uma semana, Eu sou a Lenda tem tudo para ser um sucesso: arrecadando US$ 76,5 milhões, é o maior valor de bilheteria arrecadado no mês de dezembro na história e a maior abertura de um filme estrelado por Will Smith. Isso porque ele tem filmes como Independente Day (US$ 306 milhões de faturamento, no total), de 1996, no currículo.

    E, de fato, Eu Sou a Lenda é o tipo de filme que costuma fazer sucesso nos cinemas ao misturar o carisma de um ator do porte de Will Smith a caprichados efeitos especiais e um enredo apocalíptico. Na história, ele interpreta o cientista e militar Robert Neville. Em 2009, uma cientista (Emma Thompson) anuncia ter conseguido modificar um vírus para que ele possa se reverter como uma cura ao câncer. Muito bonito, mas a experiência sai do controle e, a longo prazo, a tal cura acaba tornando-se o mal que destruirá a humanidade, uma vez que a substância transforma seus hospedeiros em verdadeiros monstros: extremamente ágeis, fortes, violentos e sedentos por carne - como uma mistura de assustadores zumbis e vampiros, já que têm aversão aos raios solares. Três anos depois, Neville vive absolutamente sozinho em Nova York, pois, de alguma forma, ele é imune ao vírus, que se espalha no ar. Como companhia, ele tem a cachorra Sam, treinada para ser sua companheira e aliada na sobrevivência. E isso inclui caçadas a animais silvestres que invadiram a cidade, transformando a ilha de Manhattan em uma verdadeira selva não somente de pedra, mas também vegetais.

    Para os brasileiros, existe um elemento curioso em Eu Sou a Lenda: a presença de Alice Braga (Cidade Baixa, Cidade de Deus) como elemento fundamental no longa-metragem. A musa, sobrinha de Sonia Braga, não aparece muito no filme, mas seu papel é bastante importante como um dos poucos seres humanos vivos nessa realidade apocalíptica.

    O que mais impressiona em Eu Sou a Lenda são os efeitos especiais e a grandiosidade da produção. Quero dizer, o filme transforma Nova York num amontoado de cimento, vidro e plantas, totalmente abandonada; já na primeira cena, o personagem de Smith caça animais, que trafegam em meio a carros abandonados. A ambientação lembra o que imaginei de São Paulo enquanto lia Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva. Neste filme, a reprodução e destruição de Nova York são feitas de uma forma totalmente realística, assim como a criação dos animais e das assustadoras criaturas que passam a habitar Manhattan. Até a forma como a companheira canina de Robert Neville interage com ele é realista, graças ao incrível treinamento que o animal recebeu para o filme.

    São muitos os filmes que imaginam essa realidade apocalíptica - como Extermínio, para citar uma produção recente -, mas Eu Sou a Lenda se diferencia por explorar de forma tão realista essa realidade. Will Smith é capaz de injetar humor e drama ao personagem, mostrando, mais uma vez, como é um excelente ator. Ao mesmo tempo, Lawrence utiliza-se da ausência de luz e som em alguns momentos para criar o clima claustrofóbico que remete à solidão sentida por personagem.