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    EVOCANDO ESPÍRITOS

    Por Angélica Bito
    17/04/2009

    Filmes de terror sobre casas mal assombradas geralmente giram em torno do mesmo eixo: situações parecidas, um trabalho específico relacionado ao uso da trilha sonora, elementos já batidos na criação de climas. Depois do livro Horror em Amityville e os filmes baseados no texto, então, esse tipo de filme sempre será comparado a um dos melhores livros de terror já feitos. E baseado numa história real, o que dá uma tensão a mais à questão toda. Evocando Espíritos, aliás, também é baseado numa história real e relacionado a uma casa amaldiçoada, o que o aproxima mais ainda à trama de Amityville, o que tem suas vantagens, mas também desvantagens.

    Em 1986, por conta do tratamento contra câncer encarado pelo jovem Matt (Kyle Gallner, da série Big Love), a família Campbell é obrigada a mudar-se para Connecticut, onde o hospital no qual ele está fazendo um tratamento experimental está localizado. Com sérios problemas financeiros, hipotecas, aluguéis, remédios caros e um pai que tenta deixar de ser alcoólatra (Martin Donovan), a mãe, Sara (Virginia Madsen), acaba fazendo das tripas coração (típico) para que o filho se recupere do tratamento. Mal sabe ela que o casarão que ela acaba de alugar por uma pechincha é a casa de espíritos maléficos que atacam justamente seu filho, que, fragilizado com a doença, acaba ficando mais aberto às manifestações dos espíritos presentes no local.

    Evocando Espíritos sabe usar elementos pontuais para se construir uma narrativa de terror. É fato que a banalização do tipo de trilha sonora usada em produções do gênero cansa e, neste caso, torna o terror redundante demais. A fotografia é escura e a montagem é rápida, entrecortada, principalmente nos momentos em que presente e passado, quando as explicações em relação ao terror que assola a casa, são apresentadas ao público. O roteiro é baseado nos relatos do casal Al e Carmen Snedeker, que, entre os anos de 1986 e 1988, foram aterrorizados numa propriedade onde viviam na cidade de Southington, em Connecticut. E é capaz de ser relativamente assustador. A começar pelo poema de Hughes Mearns pelo qual Matt é obcecado, The Little Man Who Wasn't There, sobre um homem que é visto, mas não está lá.

    Essa figura do homem misterioso segue o personagem desde a infância e se manifesta com força total quando ele se muda à casa em Connecticut que, no passado, costumava ser uma funerária. Não dessas comuns, mas conduzida por um homem obcecado pela comunicação com os mortos. Desta forma, na construção, ele conduzia rituais que abriam os canais entre vivos e mortos, sempre com a ajuda de seu filho médium, Jonah (Erik J. Berg), que acaba ajudando Matt a descobrir o segredo da casa.

    Embora competente no quesito "sustos", Evocando Espíritos ainda explora lugares-comuns que podem ser um tanto quanto batidos junto aos aficionados por produções do gênero. Mas com uma boa direção, um argumento relativamente interessante e atuações convincentes, o longa acaba funcionando. Quero dizer, se você é fã de Horror em Amityville e os filmes que o best seller dos anos 70 rendeu, possivelmente achará Evocando Espíritos interessante, desde que não esteja cansado dos elementos que ele explora repetidamente em busca da criação do clima de terror.

    Em tempo: Os paranormais Ed e Lorraine Warren, conhecidos por terem atuado no caso real de Amityville, também estiveram envolvido nos fenômenos manifestados na casa que inspirou este longa.