cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    FEITO NA AMÉRICA

    Longa mostra os Estados Unidos como vilão e mocinho
    Por Iara Vasconcelos
    13/09/2017

    À primeira vista, Feito Na América parece ser mais um filme sobre o eterno dilema dos norte-americanos contra os comunistas, mas com o passar dos minutos percebemos que o filme de Doug Liman na verdade está mais para um filme de gângsters com altas doses de humor negro.

    Tom Cruise volta a pilotar aviões, mas dessa vez nada tem a ver com Maverick de Top Gun. Na trama baseada em fatos reais, o ator interpreta o piloto Barry Seal, que é recrutado pelo serviço secreto americano para sobrevoar países da américa central com o propósito de fotografar guerrilheiros comunistas.

    Graças às suas habilidades, Seal logo fica conhecido na região e não demora muita para que ele receba uma proposta do cartel de Medelin, composto por figuras como Pablo Escobar, Jorge Luis e Juan Davi, para traficar drogas da América do Sul para os EUA. A partir daí, ele se torna uma espécie de "agente duplo" e se desdobra para dar conta das duas funções enquanto finge para a esposa que continua trabalhando na companhia aérea de sempre.

    O filme explora com sarcasmo a dualidade das atitudes americanas, mostrando o país como mocinho e bandido ao mesmo tempo, apoiando regimes totalitários e guerrilhas para lutar contra regimes democraticamente eleitos, mas que são tidos como "ameaça" para os EUA. Essa abordagem é bem parecida com a usada por Stanley Kubrick em Nascido Para Matar e Dr. Fantástico Ou Como Aprendi A Parar De Me Preocupar E Amar A Bomba.

    As referências a outras obras não param por aí. O longa tem uma edição ágil e utiliza a quebra da quarta parede como recurso de apoio para contextualizar a narrativa, modelo bem parecido com o adotado no filme "A Grande Aposta", que contou com pequenas esquetes que "interrompiam" o filme em momentos chave.

    A obra só perde quando não se aprofunda na vida familiar de Seal. Nós somos apresentados a sua esposa e filhos, mas eles possuem pouca relevância para a trama, dando a impressão de que Barry é um pai relapso, o que não justifica suas atitudes criminosas sob o pretexto de garantir o futuro da família.

    Feito Na América não assume muitos riscos e se prende a algumas fórmulas comerciais, mas ainda assim acerta em investir no humor didático. Além disso, o filme entrega a Cruise o papel mais desafiador de sua carreira nos últimos anos e o ator faz por merecer.