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    FIEL

    Por Heitor Augusto
    09/04/2009

    Diferentemente dos documentários anteriormente lançados sobre futebol, Fiel tinha duas pretensões: contar a dramática queda para a Segunda Divisão e a apoteótica volta à divisão de elite combinadas com o desejo de mostrar que a torcida corinthiana é a mais crédula entre os clubes brasileiros.

    Quando esses dois eixos de narração se juntam, há uma combustão de sentimentos tanto na tela como no espectador. Pena que esse feliz encontro ocorra apenas no meio do filme. Até chegar lá, o corinthiano sentado à frente da telona tem de suportar uma repetição de entrevistados reafirmando seu amor pelo clube. O que há muito é sabido, já que o Corinthians tem a segunda maior torcida do Brasil (12%).

    Fiel começa com o tradicional ritual dos arredores do Pacaembu, o estádio que não é o oficial, mas no qual a nação alvi-negra se sente confortável. Três horas antes dos jogos no sábado ou domingo, as barracas se aglomeram na Praça Charles Muller. As ruas paralelas ao estádio municipal ficam repletas de pessoas envergando o manto branco ou listrado.

    Depois dessa apresentação, o longa parte para as histórias de torcedores. Como o trabalho de pesquisa foi bem realizado, pululam narrações interessantes. Mas depois da terceira, o que brilhava fica menos interessante e mais se parece com uma tecla pressionada incessantemente: a torcida do Corinthians é a mais apaixonada do Brasil.

    Quando chega a hora de falar do rebaixamento, o documentário esquenta e muito. O corte dado pela diretora Andrea Pasquini e amarrado pelo roteiro de Serginho Groisman e Marcelo Rubens Paiva prioriza o drama dos dois jogos finais, a derrota contra o Vasco no Pacaembu e o empate contra o Grêmio, no Olímpico, que despachou o timão para a segundona.

    Como um épico, a torcida se ascendeu. Das lágrimas, surgiu o "Eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo!", que tornou-se um símbolo entre os cantos dos estádios. Narrado pelos torcedores e pelos depoimentos de Dentinho, Lulinha, Felipe (presentes no rebaixamento), Douglas e André Santos, Fiel narra a redenção e o passeio na segunda divisão.

    Está claro que é um filme para torcedores corinthianos. Bem provável que os rivais são-paulinos, santistas ou palmeirenses não suportem mais de dez minutos na cadeira. Então, caro corinthiano, resista aos instáveis primeiros minutos de Fiel, pois os momentos épicos são o que valem a pena no filme.