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    FILHO DE SAUL

    Filme materializa atmosfera pesada dos campos de concentração
    Por Iara Vasconcelos
    03/02/2016

    Produções que retratam a Segunda Guerra Mundial são tão comuns que o assunto já virou um subgênero do cinema. Mas assim como em O Pianista e O Menino Do Pijama Listrado, o diretor húngaro László Nemes, estreante em longas-metragens, focou seus esforços em um dos episódios mais obscuros desse período: O Holocausto Nazista. Tudo contado através do olhar de um dos judeus enclausurados em um campo de concentração.

    A trama acompanha Saul Ausländer, um dos prisioneiros que atuava no Sonderkommando, grupo de judeus que trabalhava forçadamente na máquina de extermínio nazista ao serem obrigados a contribuir com a morte de seus semelhantes. Durante a triste e rotineira limpeza da câmara de gás, ele reconhece o corpo de seu filho pequeno.

    A par do tratamento animalesco dado aos corpos dos prisioneiros, ele resolve dar um enterro digno à criança sem que seus tiranos comandantes percebam, iniciando assim uma caçada agonizante por um rabino que possa realizar os rituais necessários.

    Quando se trata de filmes com temática de guerra, o realismo e a brutalidade são elementos quase impossíveis de se escapar. Com relação a isso, Filho De Saul cumpre bem o seu papel. Toda a atmosfera pesada e melancólica dos campos de concentração transparece ao espectador. As dependências claustrofóbicas do covil nazista se materializam na situação sufocante pela qual o protagonista é submetido. De quebra, Nemes optou por um enquadramento mais fechado, com planos que quase sempre focam no rosto do protagonista, deixando claro que aquela história é contada a partir de seu ponto de vista, o que torna a experiência ainda mais pessoal.

    O trabalho sonoro feito no filme é capaz de potencializar os horrores mostrados na tela. Em uma das cenas, por exemplo, os judeus são levados para dentro da câmara de gás e podemos ouvir – em off – os sons de suas mãos batendo em busca de socorro aumentarem gradualmente para depois cessarem por completo, quando não há mais vida dentro da sala.

    O desfecho de Filho De Saul pode parecer muito vago e sem respostas, mas fica claro que a intenção de Nemes nunca foi trazer uma narrativa tradicional - ou seja, contar uma história - e sim materializar a terrível experiência de um campo de concentração, numa espécie de experimento sensorial. No final, nunca ficamos sabendo ao certo se o filho de Saul era real ou apenas uma metáfora de seu desejo de liberdade e redenção, mas essa resposta é apenas um dos elementos que essa obra nos deixa refletir.