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    FLOR DO DESERTO

    Importante, mas história sobre menina mutilada poderia ser infinitamente melhor<br />
    Por Heitor Augusto
    25/06/2010

    Como tratar um tema dolorido no cinema? A resposta que Flor do Deserto deu a esse questionamento é não fugir do assunto, mas colocou uma série de outros temas ao lado do que há de mais dolorido na história. Assim, o público sofre, mas não foge do cinema.

    No caso desta ficção, a dor surge da história da protagonista, Waris, uma menina somali mutilada aos cinco anos e vendida como esposa aos 13 anos, mas que fugiu da desgraça iminente ao entrar para o mundo da moda. Quem interpreta a personagem é a modelo etíope Liya Kebede.

    Flor do Deserto é um filme cuja força é, ao mesmo tempo, sua fraqueza. A direção Sherry Horman não radicaliza e opta por narrar a vida de Waris como um conto de fadas. O ponto mais espinhoso e o tom de denúncia ficam mais para o final.

    Com isso, não espanta um público que, à priori, não estaria disposto a assistir a tragédia no cinema. Ou seja, se o intuito é denunciar a prática de mutilação genital, comum em metade dos países da África, o filme cumpre sua função.

    Mas, se além disso, Flor do Deserto pretendia ser forte e cinema, de fato, o filme parou no meio do caminho. Especialmente porque a força e a emoção surgem muito mais da história de Waris do que nas escolhas e afirmações do filme.

    Só para dar uma ideia disso, basta emparelhar Flor do Deserto com Preciosa – Uma História de Amor. Neste, Lee Daniels explora a potência de sua protagonista e não foge das situações dramáticas, mesmo que dê ao espectador uma pitada de esperança.

    Flor do Deserto é, sim, um filme importante, que merece ser visto. Mas, poderia ser muito melhor.