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    FLORES PARTIDAS

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Algumas pessoas aparentam passar anestesiadas pela vida. Bill Murray consegue como poucos interpretar uma pessoa dessas e parece que a classe cinematográfica percebeu isso. Especialmente depois de sua atuação em Encontros e Desencontros (2003), trabalho que lhe trouxe reconhecimento e prêmios. O cineasta cult Jim Jarmusch (Sobre Café e Cigarros) também percebeu essa faceta do comediante e escreveu o roteiro deste filme já pensando no ator que o protagonizaria. E não deu outra: Bill Murray mostra-se o intérprete perfeito para Don Johnston, o entediado condutor da história de Flores Partidas.

    Don Johnston é um homem de meia-idade que gosta de fazer jus ao nome, comportando-se como Don Juan, o mais notório conquistador da literatura. Logo após levar o fora de sua namorada Sherry (Julie Delpy), ele recebe uma carta misteriosa de uma antiga amante, não-identificada, dizendo que têm um filho de 19 anos. A carta ainda avisa: possivelmente o menino está à procura do pai. Com a ajuda de seu amigo e vizinho Winston (Jeffrey Wright), todo metido a detetive (de forma muito hilária), Don investiga o paradeiro do rapaz partindo em uma viagem pelos EUA à procura de suas ex-namoradas, que não são poucas. Elas são vividas por atrizes do naipe de Sharon Stone, Jessica Lange e Tilda Swinton.

    A expressão entediada que Bill Murray carrega no rosto durante o filme é sua maior graça. Ao mesmo tempo, seu personagem tem no melhor amigo o grande contraponto. Enquanto Don não constituiu família e segue sem interesse nisso, apesar de passar dos 50 anos, Winston tem alguns filhos e uma mulher. É ele que anima Don a fazer essa viagem em busca do passado e, quem sabe, do futuro nesse possível filho. No final das contas, ao espectador não interessa mais saber quem é a mãe do filho, mas sim apreciar cada um dos encontros tão especiais. Cheio de situações cômicas e diálogos espertos, Flores Partidas também traz um elenco de peso. Aprodução acaba tornando-se a definição perfeita de uma comédia dramática, dosando muito bem os dois elementos prioritários e aparentemente antagônicos desse gênero cinematográfico.