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    FOGO CONTRA FOGO (2012)

    Com grandes nomes no elenco, filme de ação é mais do mesmo e só diverte se você não esperar demais dele<br />
    Por Daniel Reininger
    04/02/2013

    Nem mesmo o elenco de grandes nomes consegue salvar Fogo Contra Fogo. Lançado diretamente em DVD nos Estados Unidos, o longa chega aos cinemas brasileiros sem alarde, como filme de ação genérico, capaz de divertir caso não espere demais dele. Com necessidade clara de simplificar os personagens para a trama funcionar, mocinhos e bandidos são bem definidos e o vilão é o pior cafajeste da face da Terra, que precisa ser parado a qualquer custo.

    A história é tão clichê quanto se pode imaginar. O roteiro, cheio de diálogos de efeito e momentos de sentimentalismo barato, gira em torno do bombeiro Jeremy Coleman (Josh Duhamel), que testemunha um assassinato brutal. Decidido a ajudar o detetive Mike Cella (Bruce Willis) a capturar o bandido, ele é inserido no Programa de Proteção às Testemunhas. Ao perceber que sua vida continuará em perigo mesmo após o julgamento, vai atrás de fazer justiça com as próprias mãos.

    Tudo é previsível até a segunda metade do filme, quando Jeremy passa a agir como justiceiro. Só que aí a narrativa fica arrastada e as cenas de ação se tornam abundantes e sem graça. A produção começa a parecer longa demais para seus 90 minutos de duração. Além disso, é difícil acreditar que um bombeiro sozinho seja capaz de enfrentar uma gangue violenta e bem armada.

    Faltou também aproveitar melhor o elenco. O detetive interpretado por um apático Bruce Willis faz poucas, e dispensáveis, aparições. E olha que o ator está mais do que acostumado com esse tipo de papel. A agente interpretada por Rosario Dawson é outro exemplo: relegada a simples namorada do protagonista e a donzela em perigo; é passiva e fraca demais para ser uma agente federal. Dizem que o rapper 50 Cent também está no filme, mas se você piscar é capaz de perdê-lo.

    O diretor David Barrett (Atração Perigosa) prova ao longo do filme que usou A Outra História Americana como inspiração, mas Fogo Contra Fogo não consegue discutir o preconceito racial de forma madura como a obra de Tony Kaye faz. Embora o vilão possua uma tatuagem da suástica e seja inimigo de uma gangue formada por negros, esse lado da história é ignorado e cada facção existe apenas para justificar as cenas de ação. Tarantino, por exemplo, soube mostrar essa tensão de um jeito criativo em Django Livre e o fato deste ser um diretor consagrado não é desculpa para o mesmo não acontecer aqui.

    Entretanto, seria injusto dizer que a produção não tem bons momentos. A cena que introduz o vilão David Hagan e sua gangue é dirigida com competência e ganha peso graças ao desempenho de Vincent D'Onofrio, único ator que parece levar o filme realmente a sério. Outro bom momento é quando Rosario Dawson e Josh Duhamel são emboscados por assassinos profissionais em um motel e quase acabam mortos por um atirador de elite.

    Fogo Contra Fogo é o típico exemplo de que ter grandes nomes no elenco não é sinal de boas atuações. Os diversos furos de roteiro também não ajudam, como personagens fazendo ligações para celulares jogados fora há poucas cenas. Entretanto, é aquele tipo de filme que se estivesse passando na TV - e você o pegasse durante os 15 minutos iniciais - provavelmente assistiria até o final. Daí a indicar aos amigos é outra história.