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    FORÇA-G

    <p>Não dá para encarar a terceira dimensão como um experimento palatável por mais de uma hora</p>
    Por Sérgio Alpendre
    13/08/2009

    Nos anos 1950, os experimentos cinematográficos com a tão alardeada terceira dimensão limitavam-se a objetos sendo arremessados ou movimentados em direção à câmera, como uma pequena bolinha de ping pong amarrada a uma raquete que o performer segura na frente de um museu no clássico de 1953 Museu de Cera, dirigido pelo mestre André De Toth.

    Os experimentos cresceram gradualmente, mas hoje, mais de cinquenta anos depois, o 3D alcança status de nona maravilha do mundo do cinema - nem me perguntem quais são as oito anteriores - mas ainda não rendeu um fruto aproveitável sequer. Atingiu, pelo contrário, o indesejável patamar do exagero, antes mesmo que soubessem organizar as informações na tela.

    Força G até que engana bem durante os primeiros quarenta minutos. Os ratinhos, digo, porquinhos da Índia, são bonitinhos; a sensação dimensional é agradável a nossos olhos, até os diálogos soam bem. Na segunda metade, contudo, entra em cena a ação desenfreada, quando os heróis devem resolver os problemas sob o signo óbvio da correria constante. Aí a coisa fica terrivelmente chata, e é um tal de olhar o relógio para ver se falta muito para acabar, se ajeitar na poltrona, resistir ao sono. Todas aquelas minúsculas informações em 3D passam a agredir nossos olhos já cansados de tanta inutilidade, e passamos a desejar que a dor de cabeça não venha tão forte.

    Força G, dessa forma, é mais um produto 3D a sucumbir por ausência de um maior interesse narrativo ou estético. Não adianta pensar só na tecnologia. Tudo deve estar a serviço de algo maior, uma narrativa, ou um experimento, que seja. Só não dá para encarar a terceira dimensão como um experimento palatável por mais de uma hora.