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    FORÇAS ESPECIAIS

    Filme é uma experiência confusa, artificial e inverossímil sobre conflitos de guerra no Oriente<br />
    Por Roberto Guerra
    05/12/2011

    Em entrevista a este crítico em outubro, a cineasta francesa Delphine Gleize – no Brasil para divulgar o longa A Criança da Meia-Noite - afirmou não ser possível dizer que o cinema francês atual tem essa ou aquela cara. “Faz-se de tudo um pouco na França de hoje”, revelou. As palavras de Delphine me vieram à cabeça ao assistir Forças Especiais, espécie de Falcão Negro em Perigo com soldados da elite militar francesa no lugar dos americanos.

    Dirigido pelo estreante Stephane Rybojad, Forças Especiais narra a história de uma jornalista francesa (Diane Kruger) sequestrada no Afeganistão por um chefe tribal talibã que pretende executá-la. Para evitar sua morte iminente, soldados de elite das tropas francesas são enviados com urgência para tentar livrá-la de seus captores. A missão tem desfecho rápido e é bem-sucedida, mas o grupo perde seus equipamentos de comunicação e se vê sem apoio e abandonados em território hostil.

    O problema é que Rybojad está longe de conduzir cenas de ação com a perícia de Ridley Scott, reconhecidamente habilidoso na direção de sequências de batalha. O francês apela para uma trilha sonora com muito rock and roll e câmera tremida em excesso, muitas vezes desnecessária, na tentativa de criar o clima de tensão e ansiedade vivenciada por homens em combate. Os planos abertos são escassos e o espectador tem dificuldade visualizar o terreno da batalha e o posicionamento dos oponentes. Algumas poucas cenas, no entanto, contrastam com o todo e são bem realizadas, como a do sniper francês sendo perseguido de perto por soldados talibãs.

    Outro problema que salta aos olhos são as situações improváveis que se repetem ao longo do filme, a maioria delas relacionadas à tropa de elite, que por vezes não parece tão de “elite” assim.

    A situação em que ficam incomunicáveis é mal explicada e fica difícil imaginar que soldados, supostamente tão bem preparados e com recursos tecnológicos de última geração à disposição, fiquem incomunicáveis tão facilmente. Em outro momento, o grupo, por imposição da jornalista, ajuda os moradores de um vilarejo desperdiçando munição – que, por sinal, nunca acaba. Difícil mesmo, no entanto, é vê-los enfrentar um grupo de talibãs em campo aberto, de pé, sem se protegerem atrás de nada. Sim, soldados de elite são espécies de super-homens, mas não à prova de balas como Clark Kent.

    Perseguidos por um grupo aparentemente infinito de talibãs, os soldados e a jornalista são forçados e enfrentar uma cadeia de montanhas íngremes e geladas durante dias até que, ao chegarem ao outro lado, têm um encontro totalmente implausível com seus perseguidores.

    Mesmos para os fãs de filmes de combate, Forças Especiais deve soar um tanto maçante. Uma experiência confusa, artificial e inverossímil sobre conflitos de guerra. Cinema francês com cara de Hollywood, mas tacanho na execução.