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    FORD VS. FERRARI

    Por Daniel Reininger
    13/11/2019

    Ford Vs. Ferrari é um típico filme de esporte com potencial para encantar a Academia e levar um Oscar. É bonito, tem cenas de corrida incríveis, chega a ser divertido em vários momentos, porém, falta alma e é longo demais, frustrando espectadores que não são tão ligados assim em automobilismo.

    Curiosamente, embora Le Mans seja vendida como a corrida mais emocionante do mundo, como os personagens não cansam de frisar, a trama apresenta poucas emoções, está repleta de momentos bem arrastados e contemplativos que tentam dar um ar de profundidade aos personagens, mas soam apenas como pretensiosos.

    É divertido assistir os executivos da Ford sendo confrontados e as cenas de pilotagem são muito bem filmadas, porém o título dá a entender que veremos uma grande rivalidade nas telas, quando, na verdade, vemos apenas uma equipe lutando para ser a melhor do mundo.

    Matt Damon interpreta Carroll Shelby, um piloto de sucesso obrigado a se aposentar por problemas cardíacos que trabalha nos bastidores do automobilismo. Isso o coloca no radar da Ford, que enfrenta uma queda monumental nas vendas e está desesperada para atrair jovens consumidores. Para isso, decidem correr e a Ferrari é a empresa a ser batida, principalmente na icônica corrida de Le Mans. Com apenas 90 dias para construir seu protótipo, Shelby procura Ken Miles (Christian Bale), um piloto brilhante, mas complicado, incapaz de agradar patrocinadores e seguir ordens de equipe.

    Há uma cena perto do final, no qual o piloto Ken Miles vai até a pista na noite anterior à lendária corrida para se acalmar, algo bem parecido com o que acontece em Rocky antes da luta com Apollo Creed, que mostra bem onde está o problema da narrativa. Porque a essa altura do clássico, o público entende Balboa e se importa com o personagem de Sylvester Stallone. Em Ford Vs Ferrari, você não sente isso. Pelo menos não da mesma forma. É realmente um filme sobre a Ford no final das contas e não sobre os dois homens que fizeram a empresa se destacar em 1966.

    Obviamente, Miles é o gênio em busca da volta perfeita. Leo Beebe (Josh Lucas) é o vice-presidente da Ford que quer alguém mais maleável na direção e Shelby é o gênio dos bastidores que defende sua equipe, enquanto tenta não perder seu contrato. O problema é que tudo é muito previsível e segue todos os clichês possíveis desse tipo de história.

    Obviamente, as cenas das corridas são muito bem filmadas pelo diretor James Mangold (Logan) e realmente colocam o espectador dentro do Ford GT-40. A corrida de Daytona é bem legal de assistir, já a tão esperada disputa em Le Mans é muito longa, pouco emocionante e decepcionante como um todo.

    Ford Vs. Ferrari é um bom filme, mas incapaz de trazer algo novo aos filmes sobre esporte. O título também acaba criando confusão, porque a disputa entre as empresas é a menor das questões do longa. No fim, essa produção deve conseguir algumas indicações, fazer algum barulho no Oscar 2020 e depois ser esquecido. Isso não significa que não seja uma boa opção para assistir no cinema, pelo contrário, mas não espere algo inovador ou profundo.