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    FRAGMENTOS DE PAIXÃO

    Documentário é lengalenga pouco relevante
    Por Roberto Guerra
    06/10/2013

    Antes de ver esse documentário sobre raios fiquei me questionando o porquê dele carregar esse título de filme romântico com final infeliz. Depois de assistir continuei sem saber o motivo, mas posso garantir que o adjetivo "infeliz" se aplica à produção. E não estou me referindo somente a seu final e sim a seu todo.

    Fragmentos de Paixão é um arremedo de documentário. Em seus primeiros momentos lembra um episódio do Telecurso Segundo Grau, o que já seria motivo suficiente para não ganhar espaço no cinema. Bastam 20 minutos de projeção, no entanto, para descobrirmos que estamos sendo injustos com o supletivo televisivo da Fundação Roberto Marinho.

    O Brasil é o país com a maior incidência de descargas elétricas no mundo. São 50 milhões por ano; 500 atingem seres humanos e 130 deles morrem vítimas desses raios. Realidade nacional que daria margem a um bom filme documental sobre o tema - agora é aguardar que alguém o faça.

    Fragmentos de Paixão é tão pobre em pesquisa que consegue não trazer nenhuma informação relevante. No mais, abandona a ciência para especular sobre misticismo e a imponderabilidade da vida.

    Quando o documentário começa a propor perguntas ao espectador tais como: "O quanto uma vida pode mudar com um raio?" ou "Será possível uma história de amor surgir por causa de um relâmpago?" começamos a perceber que algo não vai bem.

    Essas bobagens são apresentadas pelo apresentador e especialista Osmar Pinto Junior com toda a seriedade possível. Ele faz entrevistas estilo Transamazônica – que saem do nada e levam ao lugar nenhum - e transforma o preâmbulo do filme num lengalenga que nada acrescenta de revevante.

    A não ser que o espectador esteja interessado em saber que D. João VI tinha medo de raios. E isso nem é novidade, pois todo mundo sabe que o monarca tinha medo de tudo: de Napoleão, caranguejo, passar fome, mulher... A fogosa Carlota Joaquina que o diga.

    Também descobrimos que Santa Bárbara protege das tempestades de raios e é padroeira da artilharia do Exército brasileiro. De ciência mesmo sobre o fenômeno da natureza há quase nada. Uma busca no Google surte muito mais efeito em termos de informação.

    Como acreditam os índios, um raio nunca cai no mesmo lugar. Isso nos dá esperança que o próximo filme que se fizer sobre o assunto acerte o alvo e pulverize da memória essa tentativa sem energia e tacanha de tratar do assunto.